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As perdas em nosso dia a dia

Por Bruno Toso
11 de janeiro de 2021

Diante do momento pelo qual estamos passando acredito ser bastante pertinente abordarmos os impactos que as perdas nos causam. Seja a perda de pessoas queridas, do trabalho, da possibilidade de sair de casa (mesmo que momentânea), ou até mesmo a perda da nossa própria saúde… Todas essas situações desencadeiam um processo de luto que é, em uma frase, um processo necessário no qual nos defrontamos com a finitude da existência e a transitoriedade das coisas e das pessoas, o que assinala o fim de alguma relação. Sendo assim, ele é o tempo de elaboração psíquica da perda.

Em geral o luto não está relacionado apenas à perda de pessoas, mas também se relaciona ao que nos é desejado e amado, isto é, um objeto que não tiver um significado que o torne fundamental para o indivíduo não será suficiente para causar este processo. Espera-se que, ao deparar-se com a perda ou a separação de algo ou alguém amado e admirado, a pessoa passe por um processo de sofrimento. O sentimento proveniente desta perda, por ser tão comum, é aceito sem outros protestos.

Com a ausência do objeto, o mundo torna-se vazio e pobre. É doloroso render-se ao teste da realidade, entretanto, esta é uma tarefa imprescindível. Cada momento e cada vivência com o objeto perdido são lembrados e reinvestidos, o que permite ao “ego” conferir que o objeto não existe mais, forçando-o dessa maneira a desligar sua libido do objeto inexistente. O cumprimento da realidade prevalece, e o indivíduo renuncia ao laço afetivo, quebrando o vínculo com o objeto – e o luto se encerra. Porém, a lembrança de um vínculo que existiu no passado e gerou prazer ainda persiste. A lembrança, vivenciada comumente na saudade, é sempre em relação a um vínculo que não existe mais. A lembrança pode constituir um modo de satisfação por si, entretanto, jamais a satisfação que esta gera pode ser comparada com a satisfação obtida nos momentos em que o objeto realmente existia.

Enquanto toda energia, isto é, todos os investimentos não forem recolhidos, a dor do luto se mantém. Isto porque uma das condições para que o eu volte a usufruir da vida é que restabeleça de novo suas ligações com outros objetos, que retorne a desfrutar de vínculos libidinais e que invista em novos objetos.

 

Tratando-se do luto, as representações ligadas ao objeto estão fortemente investidas pela necessidade do instinto e não encontram satisfação no mundo real. Tal fato, acompanhado do processo de investimento e a impossibilidade e incapacidade de proibi-lo e inibi-lo, produzem o estado de dor psíquica. O sentimento desprazeroso assume a categoria de dor psíquica em função do elevado nível de investimento somado ao alto nível de ligações afetuosas que predominam gradativamente sob a forma de um intenso anseio concentrado no objeto passível de saudade. Por fim, para Freud (1926 [1925]), o trabalho do luto é a tarefa de efetuar passo a passo a retirada das cargas de investimento de energia das representações do objeto.

E você, como lida com as perdas vividas no seu cotidiano? Fica então o convite para refletir sobre este assunto que nos causa enorme sofrimento e que se faz muito presente na atualidade. Vale ressaltar que algumas pessoas não compreendem o processo de luto e ignoram a dor que sentimos com algumas perdas sofridas em nosso cotidiano, uma vez que a mesma situação não lhes causa dor.

 

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