A mensagem de felicitações do presidente chinês Xi Jinping à 39ª edição da Cúpula da União Africana (UA) realizada na Etiópia demonstra o firme apoio da China ao desenvolvimento independente da África.
Adis Abeba, 15 fev (Xinhua) — A mensagem de felicitações do presidente chinês Xi Jinping à 39ª edição da Cúpula da União Africana (UA) teve grande repercussão em todo o continente africano e na comunidade internacional em geral.
Em sua mensagem, Xi anunciou que a China implementará integralmente o tratamento de tarifa zero para 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com a China a partir de 1º de maio de 2026. Ele também destacou os esforços para aprimorar o “canal verde” para as exportações africanas.
Autoridades africanas, acadêmicos e representantes da ONU observaram que a mensagem demonstra o firme apoio da China ao desenvolvimento independente da África.
OPORTUNIDADES COMPARTILHADAS PARA A MODERNIZAÇÃO
Henry Okello Oryem, ministro de Estado para Assuntos Exteriores de Uganda, responsável pela cooperação internacional, elogiou os esforços de Xi para aumentar o comércio entre a África e a China. “A tarifa zero para produtos africanos na China é uma boa oportunidade e uma oportunidade especial para aumentarmos nossas exportações para a China”, disse ele.
Da mesma forma, Benard Mono, diretor-geral interino do Banco de Desenvolvimento da África Oriental, acredita que a política impulsionará significativamente as exportações africanas. “Significa que haverá mais produção industrial e mais empregos criados na África”, disse ele.
Diversas empresas africanas com foco no mercado chinês observaram que as novas medidas, como a política de tarifa zero, trarão novas oportunidades para expandir o comércio com a China e aumentar a competitividade de seus produtos.

Jackson Mponela, gerente de produção para comércio e desenvolvimento da Tanzania Future Enterprises Company Limited, disse que a iniciativa de tarifa zero reduzirá significativamente o custo dos produtos tanzanianos que entram no mercado chinês. Isso “nos dará uma vantagem de preço e também nos motivará a expandir a escala de produção e melhorar a qualidade dos produtos”, disse ele.
“A cooperação China-África não se resume à ajuda tradicional ou à cooperação em projetos, mas permite que as empresas africanas participem verdadeiramente do processo de modernização e desenvolvimento por meio de oportunidades de mercado, comércio e indústria”, acrescentou ele.
Herman Uwizeyimana, gerente-geral da Fisher Global, em Ruanda, disse: “As políticas abertas e o apoio concreto da China estão entre os maiores impulsionadores do crescimento das exportações das empresas africanas para a China, tornando o comércio entre África e China mais fluido e a cooperação mais duradoura”.
Em declaração à imprensa à margem da 39ª edição da Cúpula da UA, o secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a política de tarifa zero da China para os países africanos e apelou “a todos os países desenvolvidos e a todos os países com grande potencial econômico para que adotem a mesma medida”.
“A África precisa de livre comércio para seus produtos e não pode ser penalizada, sendo um continente com enormes dificuldades econômicas, por políticas comerciais restritivas e por tarifas que impedem a competitividade dos produtos africanos”, declarou o chefe da ONU.
Ao observar a “multiplicação das tarifas nos últimos tempos”, Guterres reiterou seu forte apoio ao livre comércio e sua defesa da “redução dos níveis tarifários em nível global, a fim de promover a prosperidade mundial”.
70 ANOS DE JORNADA COMPARTILHADA
O ano de 2026 marca o 70º aniversário das relações diplomáticas entre a China e os países africanos, algo que ressalta uma parceria madura, em constante evolução e profundamente enraizada.
“O simbolismo da mensagem de felicitações enviada pelo presidente Xi Jinping à cúpula da UA é um sinal de compromisso contínuo, amizade contínua e da beleza da amizade China-África”, disse Jito Kayumba, assessor especial do presidente da Zâmbia para finanças e investimentos, acrescentando que “isso se reflete em ações concretas”.
Michael Ndimancho, pesquisador da Universidade de Douala, em Camarões, disse que a mensagem de Xi é sincera e comovente. “Ao ler a carta, senti a presença de um parceiro sincero e fraterno para a África”, disse ele.
“Ao longo dos anos, as trocas e a cooperação entre a China e a África em matéria de redução da pobreza, segurança alimentar, industrialização e desenvolvimento sustentável vem ajudando a África a desempenhar um papel mais importante na governança global”, disse ele.
Ao longo dos últimos 70 anos, as relações entre África e China deram um salto, disse Tabani Moyo, pesquisador da Escola de Negócios e Liderança da Universidade de KwaZulu-Natal.
A cooperação bilateral se expandiu de áreas tradicionais como infraestrutura e comércio para setores emergentes como modernização industrial, inovação digital e energia verde, disse Moyo.
Essas colaborações aprimoraram a capacidade dos países africanos de se tornarem “atores ativos na produção e fabricação de commodities que, posteriormente, chegarão ao cenário global”, disse ele.

Humphrey Moshi, diretor do Centro de Estudos Chineses da Universidade de Dar es Salã, na Tanzânia, observou que a Ferrovia TAZARA continua sendo um forte símbolo de amizade até hoje.
Nos últimos anos, projetos como estradas, portos e instalações de energia melhoraram significativamente a qualidade de vida e as condições econômicas do povo africano.
Além da infraestrutura, Moshi disse que a cooperação na formação de talentos também obteve avanços significativos, “ajudando a África a construir um crescimento autossustentável mais forte”.
UNINANDO O SUL GLOBAL
Em sua mensagem, Xi destacou as mudanças aceleradas no cenário global e o notável crescimento do Sul Global, elogiando a UA por liderar os países africanos no avanço da integração.
Diante do hegemonismo, do unilateralismo e dos rompimentos tarifários, “o Sul Global, personificado pela solidariedade China-África, é fundamental para a multipolaridade e a equidade”, disse Raimundo Gonçalves, especialista em relações internacionais da Associação para o Estudo da China em Angola.
Dereck Goto, comentarista político do Zimbábue, disse que 2026 marca o início do 15º Plano Quinquenal da China. “A próxima fase de desenvolvimento da China enfatiza a inovação, o crescimento verde, a modernização tecnológica e cadeias de suprimentos resilientes. Isso se alinha diretamente com as ambições industriais da África”, disse ele.

“Conforme a China prioriza o crescimento de maior qualidade e a expansão da demanda interna, as economias africanas que fortalecerem a capacidade de processamento e manufatura estarão em melhor posição para se integrar a esses setores emergentes”, acrescentou Goto.
Olhando para o futuro, Adhere Cavince, um acadêmico queniano de relações internacionais, disse que a China e a África unirão forças para estabelecer um modelo de modernização e desenvolvimento mutuamente benéfico para ambos os lados.
“A parceria deve gerar prosperidade tangível, respeitar a soberania e contribuir para uma ordem mundial justa e inclusiva, onde o Sul Global molde seu próprio destino”, disse Cavince.


