Rio de Janeiro, 7 out (Xinhua) — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), desafiou nesta quarta-feira o senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), a apoiar a proposta de redução da jornada de trabalho de 6×1.
Nesta terça-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais deve ser debatida e votada antes do segundo turno das eleições gerais, previsto para 25 de outubro.
Em discurso durante uma plenária do PT com parlamentares, Lula afirmou que pretende acompanhar a postura do adversário sobre o tema.
“Quero ver como Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favoravelmente. E desafio ele a pedir para o PL votar favoravelmente”, disse Lula, ao lembrar que seu adversário se manifestou contra a proposta.
O candidato do PL tem defendido que o trabalhador deve ter a liberdade de escolher sua própria carga horária.
“Nossa proposta é dar liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade e necessidade. Quem quer trabalhar mais vai trabalhar mais, quem quer trabalhar menos vai ter o direito de priorizar outras coisas na sua vida”, disse Flávio Bolsonaro em entrevista nesta terça-feira.
Em resposta, Lula disse que esse tipo de negociação não traria vantagens para os trabalhadores.
“Estão inventando uma história, como se, em um acordo leonino, o trabalhador tivesse alguma vantagem. Portanto, nada de aceitar barganhas. É reduzir a jornada de trabalho para cinco dias de trabalho e dois de descanso”, afirmou o candidato do PT.
No encontro, Lula também defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, uma das principais propostas do governo para ampliar a coordenação entre a União, os estados e os municípios no enfrentamento ao crime organizado.
Segundo ele, a experiência das últimas décadas demonstrou que os estados “não deram conta” da responsabilidade atribuída pela Constituição de 1988. Por isso, defendeu o fortalecimento da atuação federal por meio da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal.
O presidente também afirmou que o governo pretende transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima para enfraquecer as facções criminosas. Entre as prioridades, está também a criação do Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC.
Ao resumir a diretriz que defende para o setor de segurança, Lula disse que sua campanha adotará o lema “Para o povo trabalhador: proteção; para o bandido: prisão”. Fim


