Começa sexta-feira, 17, e prossegue até domingo, na Casa Luanda, em Maringá, o Encontro Estadual do Baque Mulher, iniciativa que reúne integrantes de diferentes filiais do Paraná em uma programação dedicada à formação, articulação e difusão do maracatu de baque virado. Com atividades abertas ao público e ações internas voltadas às participantes, o evento é focado na valorização das mulheres dentro da cultura popular do maracatu e traz convidadas de referência.
A programação é totalmente acessível em Libras e inclui mesas de debate, oficinas por naipes, rodas de conversa, ensaios coletivos e apresentações culturais, promovendo tanto o intercâmbio entre os grupos quanto a aproximação com a comunidade.
A realização é do Baque Mulher Maringá, que integra a rede nacional do movimento, reconhecido por fortalecer a presença das mulheres no maracatu. Um dos principais destaques da programação é a participação da Mestra Joana Cavalcante, do Recife (PE), primeira e única mulher a comandar uma nação de maracatu, além de outras batuqueiras que atuam na preservação e transmissão desses saberes tradicionais.
“É um espaço de afirmação da vida negra em sua dimensão artística, espiritual e ancestral. Reunindo cerca de 100 batuqueiras sob a regência da Mestra Joana de Recife, fortalecemos o Maracatu como expressão viva da diáspora negra e instrumento de enfrentamento ao racismo religioso. Realizado em um ponto de cultura negro, o encontro dá relevo às nossas tradições e nossos modos de existir. Afirma também o corpo das mulheres negras para além da dor e do cuidado imposto, um corpo que celebra, ocupa e cria. Em um contexto de tantas violências, celebrar a vida das mulheres é, em si, um ato político”, afirma a coordenadora geral do projeto e coordenadora do Baque Mulher Maringá, Laís Fialho.
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O encontro terá representantes das filiais de Foz do Iguaçu, Matinhos, Curitiba e Londrina e é viabilizado por meio do Chamamento Público nº 001/2024 – Edital Multiartes do Governo do Estado. Com entrada gratuita nas atividades abertas, busca ampliar o acesso à cultura, fortalecer redes de mulheres e promover a circulação de práticas e conhecimentos ligados ao maracatu. A iniciativa também se consolida como um espaço de troca entre diferentes territórios, reafirmando a importância da cultura popular como instrumento de resistência e transformação social. No domingo, haverá um espaço infantil sob a responsabilidade do Coletivo Colméia, formado por arte-educadoras, para garantir a participação das crianças. Além disso, o evento também terá uma feira de produtos artesanais e o formulário de expositores segue aberto, disponível para pessoas com trabalhos independentes.
Durante todo o evento, a Omì Cozinha Viva, coordenada por Laís Guelis, se manterá em pleno funcionamento, garantindo a alimentação de todas as oficineiras e equipe de produção do projeto.

O Baque Mulher é um movimento de empoderamento feminino, criado em 2008 pela Mestra Joana Cavalcante, que hoje ocupa o Brasil todo. “Esse intercâmbio é, antes de tudo, um encontro de história dessas mulheres, de forças, de ancestralidade. Então, trazer as mulheres de Recife para Maringá é permitir que a gente se reconecte com as nossas raízes, fortaleça nossos laços e reafirme a potência do maracatu como expressão de resistência e também transformação. É o poder de ver mulheres juntas construindo novas possibilidades, novos caminhos”, diz a produtora executiva Fernanda Santos, proponente do projeto e participante do Baque Mulher Maringá.










