No momento em que o maior evento esportivo do mundo, a Copa FIFA, é praticamente tomado por empresas que exploram apostas, mais da metade de todo o patrocínio da cobertura pelos canais de TV é patrocinada pelas chamadas bets e milhões de famílias mundo a fora vêem o orçamento da casa virar apostas sem retorno, a Câmara Municipal de Maringá aprova por unanimidade um projeto de lei que cria no município o Programa de Combate ao Vício em Apostas e Jogos de Azar.
A aprovação do projeto não foi em benefício do apostador comum, que gasta seu dinheiro nas bets para se divertir, mas em nome daqueles que perderam o controle sobre sua maneira de apostar, aqueles para quem o jeito de apostar é considerado doença incurável, que pode perder tudo que é dele, tudo que é da família e ainda se afundar em dívidas impagáveis porque a necessidade de apostar é mais forte do que o controle pessoal.
O projeto é também para aqueles que, diante do desespero por causa das dívidas de jogo, pensam em tirar a própria vida.
O projeto é de autoria da vereadora Professora Ana Lúcia (PDT) e foi elaborado depois que ela conheceu uma reunião de Jogadores Anônimos (JA) e ouviu depoimentos desesperados de pessoas que se atolaram em dívidas e mesmo assim não conseguiam parar de jogar. Essas pessoas estão buscando ajuda em outros que também vivem o mesmo drama e algumas delas estão conseguindo ficar sem jogar.
“O que vi é que a ludopatia é doença mesmo, não é falta de vontade, nem falta de vergonha. E quem sofre com isso não tem como vencê-las com suas próprias forças”, disse a vereadora.
Segundo ela, as bets avançam dia a dia, estão tomando o horário nobre da TV e é o que mais se vê quando alguém abre o Youtube, o que significa que cada vez mais e mais pessoas podem se descobrir impotentes perante as apostas.
“Como todas as bets esportivas e os jogos de azar estão no celular, cada pessoa está carregando um cassino. Muitas dessas pessoas que já estão jogando ainda são quase crianças, não têm noção do perigo que estão correndo”.
O programa que nasceu a partir do projeto aprovado pela Câmara nasce para mudar essa história, com prevenção nas escolas e espaços públicos, acolhimento a quem sofre e a quem está ao seu lado, e a exigência de que a publicidade de apostas informe onde buscar ajuda.
Segundo Ana Lucia Rodrigues, esse é o momento de o poder público trabalhar para prevenir, conscientizar, combater práticas abusivas e apoiar iniciativas voluntárias, além de proibir o uso de espaços públicos para propaganda de apostas e qie desenvolva campanhas educativas nas escolas, redes digitais e em eventos esportivos.
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