IMPRESSO
Maringá
  • HomeM
  • Maringá
  • Economia
  • Região
  • Esportes
  • Geral
  • Colunas
  • Publicações Legais
Maringá
No Result
View All Result

‘O slam é feito pela juventude’, diz produtora cultural e pesquisadora de Maringá

Por Cristiano Monteiro Martinez
28 de abril de 2026
2º Festival Pé Vermelho de Poesia, em Maringá (Crédito: Cristiano Martinez)

2º Festival Pé Vermelho de Poesia, em Maringá (Crédito: Cristiano Martinez)

Sem uso de figurinos, fantasias ou música. Apenas o poema na voz de quem o criou, com ou sem microfone. De zero a 3 minutos de apresentação para um júri formado pela própria plateia. É assim que ocorre o poetry slam, ou simplesmente slam, que é a batalha de poesia falada.

Hoje é a forma de produção poética que mais encontra ressonância no público jovem. No Brasil, o slam chegou em 2008, segundo informações da produtora cultural, pesquisadora e poeta Érica Paiva Rosa. São mais de 300 comunidades ao redor do país, incluindo a Cidade Canção. “O slam é feito pela juventude”, diz, em conversa com a reportagem durante a realização do 2º Festival Pé Vermelho de Poesia, no domingo, 26 abril, em Maringá.

O slam, segundo ela, se configura em espaço livre, sem regras para a participação no campeonato de poesia falada. Basta ter um poema autoral, que deve ser apresentado no tempo de zero a 3 minutos. Isso é um grande chamariz para a participação de jovens, que podem discutir assuntos e questões sem voz em outros ambientes sociais. É no slam que o jovem começa a gostar de ler, resultando em poetas slammers publicando seus livros; ou fechando ciclos na vida, com outros chegando para renovar a produção.

“É um lugar que, nos slams do Brasil inteiro, as pessoas, os jovens, se sentem muito confortáveis em discutir a sua identidade, em falar de coisas que os incomodam e que, às vezes, eles não têm outros espaços sociais para discussão. Não conseguem discutir dentro de casa, no trabalho, na igreja da qual participam”, analisa Rosa, acrescentando que, em sua tese de doutorado defendida em 2025 na Universidade Estadual de Londrina (UEL), investigou a questão da juventude brasileira, com esses processos de posições identitárias.

Nesse sentido, a produtora acredita que o universo acadêmico está mais aberto ao slam, dado o grande volume de pesquisas realizadas ou em curso. “A academia está muito aberta e não tem como não estar. Porque esse é um movimento muito forte, muito grande. A gente tem mais de 300 comunidades no Brasil inteiro”.

Depois que terminou o doutorado – cuja tese é “Uma sangria em performance: a reescrita da história do Brasil pela poética feminista decolonial do slam” -, Rosa passou a ser avaliadora de revistas acadêmicas, recebendo muito material todos os meses para apreciação.

A produtora e pesquisadora também integra o Coletivo Pé Vermelho, que organiza periodicamente, desde 2019, o Slam Pé Vermelho em espaços públicos de Maringá. Junto com a PR Educação e Cultura, o Coletivo promoveu o 2º Festival Pé Vermelho de Poesia no domingo, 26, na Coletiva Mostra Multicultural, na Cidade Canção, reunindo poetas que participaram da Residência Poética e público em geral. Ao final, rolou uma edição do slam.

Poeta Kauê, que participou da Residência Poética em Maringá (Crédito: Cristiano Martinez)

Poetas
Um dos participantes do circuito de slam, e que fez parte da Residência Poética do Coletivo Pé Vermelho, é Kauê (perfil @kaue.koes), de 21 anos. Nascido em Campinas (SP), ele está há três anos na Cidade Canção, onde estuda no curso de Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Ele escreve há dez anos e é MC, compositor, poeta e militante comunista do PCBR.

À reportagem, Kauê avalia que hoje existe mais espaço para a literatura “a partir das modelizações do slam e da Batalha de Rima [espaço em que rappers fazem um ‘duelo’ de versos rimados]”. São plataformas sem custo e tampouco pré-requisitos de participação, trabalhando apenas com a oralidade e o corpo. Na academia, hoje se vê mais gramáticas de uso e principalmente a entrada de populações mais periféricas no meio universitários, desenvolvendo suas próprias teorias. “Não acontece mais da literatura ficar fechado nesses meios ultra acadêmicos”.

No entanto, na visão de Kauê, o xis da questão é a via econômica. “Quem consegue remunerar esses formatos ainda é a grande indústria, ainda são as associações”, destacando que até mesmo a inscrição em processos de fomento cultural é excludente, ao privilegiar quem domina a norma culta padrão. “Quem acessa de fato os recursos, quem consegue delimitar, quem tem acesso à produção cultural de fato não é o artista periférico. Ele talvez esteja na ordem do dia, mas não é quem está desenvolvendo sua arte nas dinâmicas de ser remunerado”.

Nesse contexto, Kauê avalia que ocorre uma consolidação estética nas ruas, com reconhecimento da crítica. Porém, o problema é que o artista não consegue viver de sua arte. Inclusive, esse MC destaca que ele mesmo produz poesia há dez anos, mas somente agora foi remunerado ao participar da Residência Poética em Maringá.

Momento do chamado microfone aberto no Festival (Crédito: Cristiano Martinez)

Por sua vez, a poeta Kél (@kelmunista) escreve desde os 8 anos de idade; hoje tem 32. “É uma extensão de mim”, destacando que é conhecida pelos poemas politizados. Conhecedora da poesia marginal, que tem poemas mais curtos e que explora a visualidade, ela costuma publicar em sites e apresentar seu material em slams, no chamado microfone aberto. Ao longo de seu caminho de construção poética, a autora de Maringá quer continuar produzido. “A graça é isso, de se reinventar, de acordo com as nossas vivências e aprendizados”.

Sobre a poesia urbana, Kél avalia que se vive em tempos de performances, em que é preciso ser rápido para convencer. Mas também é uma forma de popularizar a arte, que costuma ser vista para poucos. De trazer a poesia para qualquer lugar. “Inclusive, para as ruas. Você pode montar um slam”, exemplifica.

Poeta Kél e um de seus escritos, durante exposição no 2º Festival Pé Vermelho de Poesia (Crédito: Cristiano Martinez)

Residência Poética
Ao longo de dois meses, os poetas selecionados para a Residência Poética participaram de quatro oficinas. Nessas formações, os participantes produziram pílulas poéticas com poemas curtos e pocket zines (publicações independentes), além de criarem performances de poesia falada e poemas visuais. Tudo isso foi apresentado e distribuído gratuitamente durante o 2º Festival Pé Vermelho de Poesia, domingo, 26, em momentos de interação direta entre público e artistas.

A Coordenação Geral foi de Érica Paiva Rosa, com Pedro Marques na Produção Executiva e Coordenação Financeira, além de Ana Favorin (Social Mídia), Gabriel Brunini (Produção Audiovisual) e Rachel Coelho/2 Coelhos Comunicação e Cultura (Assessoria de Imprensa). Realização: PR Educação e Cultura e Coletivo Pé Vermelho.

Trata-se de projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com Recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura – Governo Federal.

Tags: 2º Festival Pé Vermelho de PoesiaColetivo Pé VermelhoDestaqueLiteraturaMaringápoesia marginalPoesia urbanaSlamSlam Pé Vermelho

IMPRESSO

Outros Posts

Categoria de música teve 19 projetos contemplados (Crédito: Arquivo/Cristiano Martinez)
Cultura

Investimento de mais de R$ 1 milhão: Convite às Artes 2026 anuncia 95 projetos contemplados

26 de outubro de 2026
Último dia para qualquer tipo de propaganda eleitoral é neste sábado
Maringá

Este sábado é o último dia para qualquer tipo de propaganda eleitoral

24 de outubro de 2026
Autocuidado, saúde e acolhimento marcam encontro de mulheres com deficiência
Maringá

Autocuidado, saúde e acolhimento marcam encontro de mulheres com deficiência

24 de outubro de 2026
Escritora Maria do Carmo é a nova representante oficial do Clubinho de Leitura do Museu da Vilinha
Maringá

Clubinho de Leitura do Museu da Vilinha ganha nova representante

23 de outubro de 2026
TV Evangelizar muda para canal digital 12.1 em Maringá e região a partir de segunda-feira
Maringá

TV Evangelizar muda de canal em Maringá e região; veja como sintonizar

23 de outubro de 2026
Detalhe da capa da 50ª Graphic MSP (Crédito: Reprodução)
Cultura

Phellip Willian e Melissa Garabeli, do Paraná, reimaginam a Turma da Mônica em Graphic MSP

23 de outubro de 2026
  • Impresso
  • Fale Conosco
  • Política de Privacidade
  • Publicações Legais
  • Quem Somos

Editora Dia a Dia – O Maringá

CNPJ: 31.722.654/0001-52
ENDEREÇO: Estácio de Sá, 1251,
Zona 2 CEP: 87005-120
(44) 3305-5461

© 2026 O Maringá - O Jornal a serviço de Maringá e região.

No Result
View All Result
  • Home
  • Maringá
  • Colunas
  • Jornal Impresso
  • Saúde
  • Região
  • Outros
    • Publicações Legais
    • Fale Conosco
    • Quem Somos

© 2026 O Maringá - Todos Os Direitos Reservados.

Esse website utiliza cookies. Ao continuar a utilizar este website está a dar consentimento à utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.