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Obra de escritor maringaense ganhadora do Jabuti está em processo de adaptação para o audiovisual

Por Cristiano Monteiro Martinez
16 de janeiro de 2024
Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

Ganhador do Jabuti de 2012, que é o prêmio mais tradicional do mercado de livros no Brasil, o romance “Nihonjin”, do escritor maringaense Oscar Nakasato, está em processo de adaptação para o cinema de animação.

A informação é da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (Utfpr), em que o autor é professor do campus de Apucarana, no Norte do Estado. E a produção do longa-metragem é do estúdio Pinguim Content, responsável por animações como “O Show da Luna!” e “Peixonauta”.

Aliás, a adaptação não tem participação do escritor e é bastante livre, inclusive com um título diferente do romance. No audiovisual, o filme se chamará “Meu avô é um Nihonjin”, escrito por Rita Catunda e dirigido por Celia Catunda.

Produzido por Kiko Mistrorigo e Ricardo Rozzino, da Pinguim Content, o projeto participou das sessões de apresentação da Ventana Sur – mercado de conteúdo audiovisual mais importante da América Latina -, em 2018, e participou em 2023 da Animation! Works in Progress, que são festivais nos quais são apresentadas obras não finalizadas.

Já o livro de Nakasato marcou sua estreia no universo da narrativa longa, vencendo o 1º Prêmio Benvirá de Literatura, do qual participaram 1.932 concorrentes de todo o Brasil com obras inéditas. O narrador de “Nihonjin”, neto do protagonista e filho da personagem Sumie, empresta voz e visão contemporânea à transformação do avô e do seu sonho de voltar rico para casa.

“Hideo Inabata é um japonês orgulhoso de sua nacionalidade, que chega ao Brasil na segunda década do século XX com o objetivo de enriquecer e cumprir a missão sagrada de levar recursos ao Japão, conforme orientação do imperador aos seus súditos. O árduo trabalho no campo, a difícil adaptação ao Brasil, a morte da primeira esposa e os conflitos com os filhos Haruo e Sumie são um teste para a inflexibilidade do nihonjin (japonês)”, diz a sinopse do livro.

A obra de Nakasato foi publicada em 2011 e teve origem em sua pesquisa de doutorado, que investigou personagens nipo-brasileiros na ficção. “A minha frustração por ver a diminuta presença desses personagens me levou à ideia de escrever ‘Nihonjin’, que é fruto de memórias e de pesquisas em livros de História, Antropologia e Sociologia”, conta o professor, via Comunicação da Utfpr.

Para o jornal “Cândido”, em entrevista mais antiga, o professor maringaense contou que essa pesquisa acadêmica serviu para entender a imigração japonesa no Brasil e o processo de aculturação dos japoneses e seus descendentes. “Essa pesquisa, sim, me ajudou muito a compor os personagens e os episódios de ‘Nihonjin’. Quanto ao estilo, em nenhum momento tive receio de escrever um romance contaminado pela linguagem acadêmica, pois o texto literário faz parte da minha vida com maior intensidade e há mais tempo que o texto acadêmico”.

Escritor e professor Oscar Nakasato (Crédito: Japão Aqui)

Adaptação
A animação conta a história de Noboru, um menino de 10 anos, que descobre o passado de seu avô Hideo e a imigração japonesa para o Brasil. Tendo vivido toda a sua vida como um garoto brasileiro, Noboru luta para compreender a personalidade de seu avô, bem como sua própria identidade cultural.

Ao longo do filme, Hideo apresenta a Noboru o Brasil como ele o vivenciou, finalmente se conectando com seu neto.

Com uso de animação 2D, o longa-metragem incorpora a cultura japonesa e aborda temas como imigração, laços familiares, assimilação, preservação e choque cultural.

Não há uma previsão de data para exibição no cinema ou por plataforma de streaming.

Cena da animação (Crédito: Divulgação)

Estúdio
Pinguim Content é um estúdio brasileiro de produção de animação, referência na criação de conteúdo infantil.

Fundada há mais de 30 anos por Celia Catunda e Kiko Mistrorigo, a Pinguim Content desenvolveu séries de sucesso como “Peixonauta”, “De Onde Vem?”, “Rita”, “Ping and Friends”, “Earth to Luna!” – já está na 8ª temporada.

Suas produções estão presentes em mais de 120 países, em diversas plataformas.

Capa do livro vencedor do Jabuti (Crédito: Reprodução)

Novo livro
Autor também de “Dois” (2017), Nakasato concluiu seu terceiro romance, sem título ainda definido. “’Ojiichan’, que significa ‘avô’ em japonês, era o título original, mas não sei se será mantido. A história gira em torno de um professor aposentado”, revela o romancista, por meio da Utfpr.

Formado em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (1988), o autor possui mestrado em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1995) e doutorado em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(2002). Atualmente, é professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira.

Tags: “Nihonjin”45 anos do curso de Agronomia da UEMAnimaçãoCinemaOscar NakasatoPeixonautaPinguim ContentPrêmio JabutiUniversidade Tecnológica Federal do Paraná (Utfpr)

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