Dois anos atrás, ele foi o molusco na briga do mar contra o rochedo, quando entrou na disputa da prefeitura de Maringá sem dinheiro, sem tempo de televisão, sem condições de buscar apoio de partidos, enfrentando nomes como Silvio Barros, Edson Scabora e Evandro Oliveira, que além de experiência e nome, tinham muito dinheiro para a campanha. Desta vez, o Pastor José Santos é candidato a deputado estadual, novamente sem tempo de TV, sem apoio de partidos e sem dinheiro. Com um agravante: desta vez falta também tempo para ir às ruas em campanha.
O Pastor José Santos se tornou conhecido ao participar das discussões com candidatos à prefeitura de Maringá, quando levou suas ideias em rodas de conversa, entrevistas em rádio e TV e até em debate com empresários na Associação Comercial, conquistas consideráveis para quem entrou numa campanha sem dinheiro.
Seu partido, o Mobiliza, até recebe dinheiro do Fundo Eleitoral, mas prefere destinar a candidatos que os caciques do partido têm mais apreço ou acham que têm chances de vitória. Desta vez, o candidato sofre também com a falta de tempo: “Sou um pequeno construtor e não posso parar o trabalho para a campanha. Afinal, eu e minha família precisamos sobreviver, os boletos não querem saber se sou candidato e continuam chegando”, diz.
Além de ter que continuar trabalhando, ele é pastor e tem compromisso com sua igreja. Assim, a campanha só vai para as ruas durante algumas noites e nos fins de semana. Mas, vai. E o candidato espera ter mais tempo para pedir votos a partir da segunda quinzena.
José Santos diz que sua candidatura é fruto de uma inquietação comum a quem quer fazer mais pelo povo. “Tenho muito interesse em estar servindo a sociedade. É normal que a gente considere que pode fazer mais se puder ocupar um cargo na estrutura governamental, como o de um deputado”.
E é por ter esses propósitos e acreditar que pode “chegar lá” que o pastor enfrenta mais uma campanha. “Desde muito antes de aceitar o desafio, eu já sabia que não poderia contar com apoio financeiro do meu partido e que enfrentaria os gigantes da política”.
Segundo ele, candidatos pelos grandes partidos têm tempo de TV, fundo partidário e tempo para percorrer as ruas e fazer visitas. Eles farão tudo para se manter no poder.
“A nós, dos pequenos partidos, resta ir diretamente ao eleitor e convencê-lo com um histórico de seriedade, honestidade e capacidade para representá-lo. E isto eu tenho para oferecer”.








