Uma pesquisa coordenada pela professora Márcia Denise Pletsch, do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), identificou que metade das crianças da Baixada Fluminense com síndrome congênita associada ao vírus Zika não frequenta a escola.
O estudo acompanha crianças e suas famílias e busca compreender os principais obstáculos enfrentados no acesso à educação, além de desenvolver estratégias para ampliar a participação desses estudantes no ambiente escolar. As informações foram divulgadas pela UFRRJ em fevereiro de 2023.
Márcia Pletsch também coordena o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da UFRRJ e tem atuação voltada à educação especial e às políticas de inclusão na Educação Básica e no Ensino Superior.
Pandemia agravou dificuldades de acesso à escola
De acordo com a pesquisadora, um dos fatores associados à ausência de parte das crianças no ensino formal foi a adoção do ensino remoto durante a pandemia de Covid-19. Em algumas localidades, esse modelo permaneceu até meados de 2022, dificultando a continuidade do processo de escolarização de estudantes que já enfrentavam barreiras de acesso e inclusão.
O trabalho desenvolvido pela equipe procura atuar em diferentes frentes. Além de avaliar as crianças e conhecer a realidade das famílias, os pesquisadores acompanham o processo de escolarização e o desenvolvimento dos estudantes nas escolas.
A iniciativa também inclui formação de professores e avaliação das políticas e ações realizadas de maneira integrada pelos municípios.
Projeto desenvolve ferramentas para apoiar comunicação e aprendizagem
Uma das iniciativas resultantes da pesquisa foi a criação de um aplicativo com 100 atividades destinadas a estimular a comunicação e ampliar a interação das crianças com familiares e profissionais no ambiente escolar.
O projeto também promoveu formação continuada para mais de 1.400 profissionais da educação de diferentes redes de ensino do estado do Rio de Janeiro.
As ações voltadas à escolarização das crianças envolvem 11 municípios, sendo nove localizados na Baixada Fluminense e dois na região Sul do estado.
Pesquisa busca ampliar inclusão educacional
Além de identificar as dificuldades enfrentadas pelas crianças com síndrome congênita do Zika, o trabalho procura desenvolver alternativas para favorecer sua permanência e participação nas escolas.
A pesquisa reúne avaliação, acompanhamento educacional, formação de profissionais e análise das ações intersetoriais dos municípios. A proposta é contribuir para que as necessidades específicas desses estudantes sejam consideradas no planejamento das políticas públicas de educação inclusiva.
O trabalho da equipe da UFRRJ ganhou repercussão em diferentes veículos de comunicação, incluindo a Agência Brasil e outras publicações nacionais.







