Morreu na madrugada deste sábado, 21, em São Paulo, o ator e dramaturgo Juca de Oliveira, de 91 anos.. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio Libanês desde o dia 13 devido a um quadro de pneumonia associada a uma condição cardiológica.
Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras, Juca de Oliveira construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na televisão e no cinema.
José Juca de Oliveira Santos nasceu no dia 16 de março de 1935, em São Roque, interior de São Paulo. Ele completou 91 anos segunda-feira, quando já estava na UTI.
Juca começou no teatro quando tinha 15 anos, em 1950. Ao todo, participou de mais de 30 novelas e minisséries, além de ter integrado o elenco de mais de dez longas-metragens e 60 peças de teatro, incluindo aquelas em que trabalhou como autor.
Um dos papéis marcantes na TV foi na novela “O Clone”, de Glória Perez. Ele interpretou o médico geneticista Doutor Albieri, responsável pela produção de um clone humano.
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O início da carreira
Antes do teatro, Juca chegou a cursar a faculdade de Direito na Universidade de São Paulo (USP) e a trabalhar em um banco. No entanto, a veia teatral falou mais alto e ele decidiu largar o emprego e trancar a faculdade para focar no seu desenvolvimento na Escola de Arte Dramática.
Ainda na década de 1950, fez parte do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), tendo contracenado com nomes como Aracy Balabanian e encenado peças como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller.
Nos anos 1960, em parceria com Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José e Flávio Império, comprou o Teatro de Arena, uma referência da cultura brasileira em meio à ditadura militar. Juca, que também era ligado ao Partido Comunista Brasileiro, acabou sendo perseguido pelo Estado brasileiro e se exilou na Bolívia.
“Não foi por acaso que o Teatro de Arena foi brutalmente atingido pela ditadura militar. O teatro foi fechado, nós fomos perseguidos. Uma tragédia”, disse em depoimento ao projeto Memória Globo.
Ao voltar para o Brasil, fez sua primeira novela, ainda em 1964: “Quando o Amor É Mais Forte”, da TV Tupi. O ator estreou na TV Globo em 1973, interpretando o personagem Alberto Parreiras em “O Semideus”.
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O auge na TV
Nos anos 1980, Juca teve passagens por Bandeirantes, onde atuou em “A idade da Loba”, e pelo SBT, tendo participado de “Os Ossos do Barão”.
Em 1993, voltou à TV Globo para fazer “Fera Ferida” e, ainda nos anos 1990, integrou o elenco de “Torre de Babel”.
Com “O Clone”, exibida entre 2001 e 2002, viveu um dos seus grandes momentos na TV. Na trama, após a morte do seu afilhado, Diogo (Murilo Benício), seu personagem, Dr. Albieri, decidiu realizar o sonho de ser o primeiro médico a realizar clonagem humana. Para isso, ele acaba clonando o irmão de Diogo, Lucas.
Seu último papel na TV foi ‘O Outro Lado do Paraíso’, em 2018, interpretando Natanael. Nos últimos anos, o ator focou seu trabalho no teatro — o qual ele nunca deixou de lado — e no cuidado da sua fazenda de gado para corte.
(com informações das agências de notícias)
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