Foi sepultada neste domingo, 14, no Cemitério Municipal de Maringá, a líder comunitária Maria Tereza Garcia Cordeiro, conhecida como Dona Tereza do Sopão. Ela tinha 70 anos e por mais de 30 esteve à frente de um grupo de voluntários que duas vezes por semana servia sopa para cerca de 100 pessoas.
Tereza foi velada no Prever Central e muitas pessoas, inclusive autoridades, compareceram para se despedir da mulher que liderou um dos trabalhos sociais de destaque em Maringá.
Não foi informada a causa da morte.
Um trabalho a muitas mãos
Tereza do Sopão sempre disse que o trabalho social que levava seu nome era resultada da união de muitas pessoas. Cerca de 25 voluntários se entregavam ao trabalho de recolher alimentos doados por supermercados, açougues, produtores rurais e pessoas da comunidade, selecionar, lavar e cozinhar panelões de sopa por semana.
Segundo ela, isso significa que, além dos voluntários mais constantes, o sopão envolvia também empresas e pessoas que faziam as doações.
Esse trabalho começou na década de 1990, quando Tereza, uma cabeleireira da zona norte de Maringá, era voluntária na Pastoral da Criança de Maringá e conheceu de perto a miséria que atingia muitas famílias. Ela fazia a pesagem de crianças desnutridas e viu que muitas delas passavam fome.
“Eu pensei em preparar uma panelinha de sopa para as crianças nos dias de pesagem”, contava ela. Mas, as colegas de Pastoral gostaram da ideia e decidiram cooperar e aos poucos a panelinha virou um panelão e, além das crianças, servia também às mães delas.
O trabalho de Tereza e suas colegas contra a fome teve que crescer, pois eram muitas as famílias em situação de vulnerabilidade social. Com o tempo, as amigas começaram a usar uma casa em construção, que foi cedida por uma mulher que também quis participar do projeto, e a sopa passou a ser servida duas vezes por semana.
Ultimamente, o Sopão da Dona Tereza está em um barracão da Rua Rio São Francisco, no Conjunto Branca Vieira, atendendo cerca de 100 pessoas a cada refeição.
Além de servir o alimento no local, também é entregue para que seja levado para casa – para atender outros membros da família ou mesmo para que a pessoa se alimente nos dias seguintes, mas são distribuídos também roupas, agasalhos e até móveis, tudo doado pela comunidade.
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