Crianças e adolescentes da Zona Oeste do Rio de Janeiro estão descobrindo a importância da preservação dos manguezais por meio da música. O Projeto Flautistas da Marambaia combina aulas de formação musical com atividades de educação ambiental, promovendo o contato dos estudantes com um dos ecossistemas mais importantes do litoral brasileiro.
Desde fevereiro deste ano, as atividades passaram a ser realizadas no Sítio Roberto Burle Marx, patrimônio reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Além das aulas de canto, flauta doce, flauta transversal e expressão corporal, os alunos participam de visitas guiadas e experiências voltadas ao conhecimento da biodiversidade da região.
Em parceria com o Laboratório de Geografia Marinha e Gestão Costeira Integrada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GeoMarinha/UFRJ), o projeto busca aproximar os estudantes dos ecossistemas costeiros, especialmente dos manguezais, incentivando a valorização da natureza e da cultura local.
As atividades incluem passeios educativos, nos quais os participantes conhecem espécies da fauna e da flora, aprendem sobre a importância ecológica dos mangues e discutem temas como conservação ambiental, mudanças climáticas e biodiversidade.
Criado em 2002 pela professora Claudia Ernest Dias, o Projeto Flautistas da Marambaia nasceu na Escola Municipal Professor Vieira Fazenda, em Barra de Guaratiba. A iniciativa surgiu a partir do interesse dos alunos em aprender música e passou a incorporar repertórios inspirados no mar, na cultura brasileira e na riqueza ambiental da região.
Ao longo dos anos, o projeto também passou a trabalhar diretamente com o reconhecimento do território onde vivem os estudantes. Além da formação artística, as crianças visitam áreas de manguezal, conhecem atividades tradicionais, como a captura de caranguejos, e desenvolvem uma nova percepção sobre o ambiente em que vivem.
Segundo os organizadores, uma das principais transformações observadas foi a mudança na forma como os próprios alunos enxergam o manguezal. Antes associado por muitos a um ambiente degradado, o ecossistema passou a ser motivo de orgulho para as crianças e jovens, que hoje reconhecem sua importância para a proteção da biodiversidade e do equilíbrio ambiental.
Especialistas envolvidos no projeto destacam que os manguezais exercem papel fundamental na captura de carbono, na proteção da costa contra a erosão e como berçário natural de inúmeras espécies marinhas, apesar de ainda enfrentarem preconceitos por parte da população.
Com a ampliação das atividades no Sítio Roberto Burle Marx, estudantes de outras escolas municipais da região também passaram a integrar o projeto. Atualmente, cerca de 50 alunos participam regularmente das aulas, enquanto mais de 1.200 crianças e jovens já foram beneficiados desde a criação da iniciativa.
Reconhecido por sua contribuição à educação e à sustentabilidade, o Flautistas da Marambaia já recebeu premiações na área cultural e educacional e foi selecionado pela Unesco como um dos projetos da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, consolidando-se como uma referência na integração entre arte, educação e preservação ambiental.







