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Sonohara “cai de paraquedas” na gestão, vence desafios e torna a propriedade altamente produtiva

Por Redação O Maringá
21 de outubro de 2026
Nilce Sonohara vence desafios e torna a propriedade altamente produtiva

Nilson Sonohara com o técnico André Silveira da Silva e a profissional de marketing da cooperativa, Vivian Brugognoli Foto: Rogério Recco

A história da produtora rural Nilce Sonohara serve de inspiração para mulheres que sonham brilhar na atividade rural. Na última segunda-feira, 19, o Rally Cocamar de Produtividade foi conhecê-la, acompanhada pelo gerente e o engenheiro agrônomo da unidade da Cocamar em Sabáudia, Gilson de Oliveira e André Silvestre da Silva, e a profissional de marketing da cooperativa, Vivian Brugognoli.

Em 2018, de forma inesperada, Nilce Sonohara passou por uma mudança radical em sua vida. Teve que deixar a carreira de arquiteta em Londrina, onde reside, para, às pressas, assumir a gestão de uma propriedade rural que havia recebido como doação de seu pai, no município de Munhoz de Melo, a 87 quilômetros. Do total de 115 alqueires, 38 são próprios e o restante é arrendado.

Cooperada da unidade da Cocamar em Sabáudia, mãe de dois filhos que se preparavam na época para iniciar o curso de medicina, e de uma filha, hoje estudante de arquitetura, Nilce se viu diante de desafios que pareciam intransponíveis para uma pessoa sem experiência nessa área. Como não participava da gestão, “caiu de paraquedas”, conforme ela mesma diz, tendo que tomar muitas decisões, pois logo começaria a semeadura da safra de soja 2018/19.

Essa era apenas uma parte das suas preocupações: Nilce corria o risco de perder as terras em razão de um pesado endividamento. E, para complicar, Munhoz de Melo é uma região de solos fracos, onde as médias de produtividade geralmente são baixas. Nessas circunstâncias, como virar o jogo, lembrando que parte das colheitas é destinada para pagamento dos proprietários das terras?

Alguns podiam considerar que as chances de isso dar certo seriam poucas, mas Nilce jamais pensou em desistir. “A propriedade, por ser um presente do meu pai, aliás o maior presente que recebi em minha vida, têm um valor afetivo muito grande para mim. Se eu tivesse que perdê-la, perderia lutando”, afirma.

Sozinha para decidir o que fazer, e com dois funcionários fixos, Nilce Sonohara conta que começou imediatamente a pesquisar na internet, convencida de que somente conseguiria superar as dificuldades mediante um rigoroso controle de custos e, principalmente, um forte impulso de produtividade em suas lavouras, o que não seria uma tarefa simples. Até porque aquela região também é tida como um local onde, historicamente, chove menos que nas imediações. “Quando chovia bem, a média não passava de 150 sacas de soja por alqueire”, diz a produtora.

Em suas pesquisas, ela acabou descobrindo uma região do Rio Grande do Sul, formada pelos municípios de Passo Fundo, Cruz Alta e Santa Maria, reconhecida pela alta produtividade de soja. Decidiu ir até lá, conversou com produtores e agrônomos e voltou com a recomendação de recuperar suas terras, entre outras providências, utilizando boro e enxofre. E como tinha em mente que nos melhores anos a soja em Munhoz de Melo produzia ao redor de 150 sacas por alqueire, estabeleceu logo de cara uma meta ambiciosa: chegar a 200 sacas de média.

A confiança Sonohara na Cocamar

Foi daí que recorreu ao então gerente da Cocamar em Sabáudia, Roberto Zucoli, interessada em comprar boro e enxofre. “A cooperativa não tinha em estoque, mas não me deixou na mão. Foi atrás e conseguiu me atender”, lembra Nilce, que criou, a partir daí, uma relação de amizade e confiança com a cooperativa.

“Eu fui muito feliz na decisão de buscar conhecimento e aplicá-lo assim que voltei do Rio Grande do Sul, o investimento em boro e enxofre deu muito certo”, afirma Sonohara.

Anos depois, já dominando a gestão da propriedade, ela havia feito um minucioso planejamento para a condução dos negócios. Na safra 2000/21, colheu 150 sacas em média, sendo beneficiada pela forte alta dos preços da oleaginosa, em razão da pandemia de Covid-19, o que deixou as dívidas sob controle.

Em resumo: a produtividade tem oscilado, o que é normal, só que em nível pelo menos 30% acima em comparação às médias obtidas pelos produtores da região, tanto na soja quanto no milho cultivado no inverno. “Temos que trabalhar de forma inteligente e com estratégias para produzir bem mesmo em ano difícil”, afirma.

Sem nunca ter perdido de vista a meta de chegar a 200 sacas por alqueire, Nilce conta que até se surpreendeu na safra 2022/23, quando registrou 193 sacas de média geral na propriedade, sendo que em um dos maiores talhões a média foi de 243 sacas. No município, naquele ano, os produtores colheram, em média, 160 sacas. E, no milho de inverno, para uma meta que definiu de 350 sacas por alqueire, ela já chegou a 300.

Assistência da cooperativa

Há três anos, Nilce é atendida tecnicamente pelo engenheiro agrônomo André Silvestre da Silva, da unidade da Cocamar em Sabáudia. Segundo André, a produtora é uma referência na região pela forma como conduz a propriedade, sempre buscando aumentar suas médias.

A comercialização

Nilce conta também que aprendeu a ter mais segurança na hora da comercialização da safra. Como controla bem as despesas, sabe quanto custa cada insumo de uma safra e, por isso, aproveita as campanhas realizadas pela Cocamar para fazer as aquisições e, ao mesmo tempo, travar custos. “Em vez de ficar apostando indefinidamente em altas de preços, eu vendo quando determinado nível de cotação atende minha expectativa de lucratividade”, diz.

Sempre que possível, à vista

Estruturada financeiramente, ela já realizou investimentos em maquinários mais modernos e, sempre que possível, prefere pagar seus compromissos à vista, se livrando dos juros.

Assim, menos de dez anos depois de ter assumido a propriedade em condições completamente desfavoráveis e sob o risco de perder as terras, Nilce é uma produtora de sucesso, que agora, como diz, consegue “colocar a cabeça no travesseiro e dormir”.

Mas ela não quer parar por aí. Nilce pretende aproveitar sua bem-sucedida trajetória e experiência para levar encorajamento e motivação a outras mulheres do agro e ajudá-las na superação de seus desafios

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Sobre o Rally

Em sua 12ª edição, o Rally Cocamar de Produtividade, que vai acompanhar todo o ciclo da soja, conta com o patrocínio da Corteva, Sicredi Dexis, Fertilizantes Viridian, concessionária GWM e-Brun Motors Maringá e Cocamar Máquinas/John Deere, com apoio da Unicampo, Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), Aprosoja/PR e CBN Rural.

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Tags: DestaqueNilce SonoharaRally Cocamar de ProdutividadeSabáudia

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