Com a entrada do nono mês de 2026, a campanha conhecida como “Setembro Verde” é dedicada à conscientização e incentivo à doação de órgãos, um ato que salva vidas. No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça a importância de que possíveis doadores façam a sua declaração de forma clara para os familiares, a fim de contribuir com o crescimento de doações e, consequentemente, dos transplantes.
Conversar com a família sobre a decisão de ser doador é essencial, pois são os familiares que autorizam a doação. A campanha também é um convite à reflexão do impacto de uma doação, que pode representar a vida para quem precisa de um transplante de órgãos como coração, pulmão, pâncreas, rim ou fígado, além de córneas e outros tecidos.
O Paraná registrou quase 5,5 mil doações entre 2011, data em que foi criado o Sistema Estadual de Transplantes (SET), até dezembro de 2025. Neste período também foram feitos 10 mil transplantes no Estado. A Sesa trabalha ainda para a redução da taxa de recusa familiar, que atualmente é de 30%, a menor do país, ao lado de Santa Catarina. A média de recusa familiar no Brasil é de 45%.
Dentro do SET, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) é o setor que faz a localização, captação, retirada e transporte de um órgão. Com sedes em Curitiba, Maringá, Londrina e Cascavel, elas também fazem as notificações, avaliação da possível doação e dão apoio à família para esclarecer dúvidas e obter a autorização legal.
O programa está estruturado atualmente com 108 hospitais notificantes, autorizados pelo Ministério da Saúde a identificar, manter e notificar a Central Estadual de Transplantes a existência de potenciais doadores de órgãos e tecidos, e que estão espalhados por todo o Paraná.
A estrutura atual possui cerca de 700 profissionais envolvidos, com 71 comissões instituídas (equipes multiprofissionais compostas por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais), que organizam e gerenciam o processo de doação dentro dos hospitais.
Há também 37 equipes transplantadoras de órgãos (pulmão, coração, fígado, pâncreas e rim), e 84 de tecidos (medula, córnea, válvula cardíaca, pele e tecido ósseo), formadas por grupos especializados de profissionais de saúde, autorizados pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), responsáveis pelas cirurgias de remoção (captação) de órgãos de um doador e o implante (transplante) no paciente receptor.
A Sesa também possui uma infraestrutura aérea e terrestre para o transporte de órgãos, incluindo veículos próprios, helicópteros e aeronaves para transporte emergencial. Em 2025 foram realizadas pelas aeronaves da Divisão de Transporte Aéreo (DTA), da Casa Militar do Paraná, 126 missões aéreas para transplantes de órgãos, o que representou 367 horas de voo. Neste ano já houve 95 missões.
HUM
Entre os dias 1º e 10, a Campanha Setembro Verde – “Cultive a Vida! Doe órgãos!” inicia com uma atividade de divulgação em vários setores do Hospital Universitário (HUM) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), visando conversar com equipe gerencial, profissionais docentes e discentes. Ainda em data a definir, a e-DOT realiza, no Auditório do HUM, o “Con-VIDA – Café com Propósito: acolhimento, diálogo e cuidado no processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes”, voltado às comunidades interna e externa, assim como a palestra “De CIHDOTT a e-DOT: nova identidade, novas diretrizes e o mesmo propósito: atualização do processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes em parada cardiorrespiratória e morte encefálica”.
Nos dias 29 e 30, como encerramento do evento, a e-DOT promove a atividade lúdica “Desmistificando o processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes”. Segundo Rosane, a programação contempla ações educativas e capacitações para profissionais de saúde, especialmente diante das novas atualizações estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 8.041/2025, a qual institui a Política Nacional de Transplantes (PNDT).
Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de 2025, indicam que 73.877 pessoas aguardam na fila por um transplante de órgãos no Brasil. De todo esse montante, 38.925 (53%) aguardam por um transplante de rim, enquanto 32.639 (44%) por um transplante de córnea (tecido). Os dados do Paraná seguem a média nacional: durante o mesmo ano, 4.421 pacientes aguardavam por um transplante, entre os quais 2.093 (48%) por um rim e 2.126 (48%) por uma córnea.








