A presença de empresas chinesas na IFA Berlin 2026 evidencia uma mudança no mercado global de tecnologia de consumo. Em vez de apresentar apenas protótipos ou produtos isolados, fabricantes estão levando para a feira soluções de inteligência artificial, robótica, casas conectadas e dispositivos personalizados cada vez mais próximos do uso cotidiano.
Realizada em Berlim, na Alemanha, a feira reúne mais de 1.900 expositores, com empresas chinesas representando quase metade desse total. A participação expressiva chama atenção não apenas pelo volume, mas também pela variedade e pela velocidade com que novas tecnologias chegam ao mercado.
Robôs humanoides deixam de ser apenas demonstrações
Os robôs humanoides estão entre os principais destaques da edição deste ano. No espaço da Unitree Robotics, visitantes acompanharam máquinas realizando movimentos sincronizados e até tarefas domésticas, como preparar um sanduíche.
A demonstração mostrou robôs manipulando alimentos e organizando diferentes ingredientes, aproximando uma tecnologia que costuma ser associada a laboratórios e pesquisas de situações comuns do cotidiano.
Outras empresas também apresentaram máquinas com diferentes capacidades. A Dobot Robotics levou robôs em formato de panda, enquanto a PrimeBOT mostrou modelos humanoides capazes de executar movimentos complexos.
O PrimeBOT Q1, com 88 centímetros de altura, apresentou movimentos inspirados em artes marciais. Já o PrimeBOT T1 chamou atenção pela capacidade de alternar rapidamente entre uma configuração bípede e outra com quatro apoios.
Mais do que impressionar o público, as empresas buscam demonstrar que a robótica pode avançar para aplicações práticas em ambientes industriais e residenciais.
Cadeia de produção ajuda a acelerar a robótica
Zou Jiyuan, diretor de marketing internacional da PrimeBOT, afirmou que a indústria chinesa vem conseguindo transformar tecnologias desenvolvidas em laboratório em produtos comerciais em um ritmo acelerado.
Segundo ele, a ampla capacidade industrial da China e a estrutura de fornecimento de componentes contribuem para reduzir o tempo de desenvolvimento e os custos de fabricação.
Motores, sensores, baterias e chips fazem parte dessa cadeia de componentes que permite às empresas desenvolver, testar e aperfeiçoar seus robôs com maior velocidade.
Casas inteligentes ganham espaço
A inovação apresentada pelas empresas chinesas na IFA 2026 não se limita à robótica. Outra tendência observada na feira é a transformação de produtos individuais em sistemas integrados para residências.
A TCL apresentou um ambiente que reúne televisão, realidade aumentada, inteligência artificial e eletrodomésticos conectados.
Entre os produtos demonstrados estavam televisores de grandes dimensões, óculos de realidade aumentada, sistemas de ar-condicionado com inteligência artificial e máquinas de lavar capazes de ajustar automaticamente seus ciclos de acordo com características da roupa e da carga.
A proposta é fazer com que diferentes equipamentos compartilhem informações e atuem de maneira coordenada.
Daniel Sun, CTO da TCL Industries, afirmou que a empresa pretende apresentar uma visão de como os consumidores poderão utilizar a tecnologia na era da inteligência artificial, com dispositivos trabalhando conjuntamente para atender necessidades práticas.
IA começa a coordenar diferentes aparelhos
A Hisense apresentou uma proposta semelhante ao criar um sistema doméstico baseado em inteligência artificial capaz de integrar televisão, geladeira, ar-condicionado e outros equipamentos.
Em uma demonstração realizada durante a feira, um comando relacionado a assistir a uma partida esportiva acionou diferentes funções do ambiente. O sistema coordenou aspectos como iluminação e temperatura e ainda criou um lembrete relacionado ao pedido de comida.
Esse tipo de integração representa uma mudança na concepção dos eletrodomésticos. Em vez de funcionarem de maneira independente, os aparelhos passam a fazer parte de um ecossistema conectado.
Para Yan Ronghua, responsável pelas operações de portfólio internacional do Centro Comercial Global da Hisense, as empresas chinesas estão ampliando sua atuação para além da oferta de produtos, buscando desenvolver experiências tecnológicas capazes de modificar hábitos cotidianos.
Tecnologia também chega às joias inteligentes
Outro destaque da IFA Berlin 2026 foi a utilização de tecnologia em acessórios pessoais.
A marca chinesa TOTWOO apresentou pulseiras e colares inteligentes conectados a aplicativos por Bluetooth. Os dispositivos permitem transmitir sinais entre peças associadas, utilizando iluminação e vibração para indicar uma interação realizada pelo usuário.
A proposta explora uma área diferente da tecnologia de consumo, combinando conectividade, personalização e interação emocional.
Wang Jieming, fundador e CEO da TOTWOO, afirmou que empresas chinesas estão avançando para segmentos especializados, nos quais a experiência individual tem papel importante.
Segundo ele, a combinação entre uma cadeia de produção de hardware consolidada e avanços em inteligência artificial permite que marcas chinesas explorem categorias além de smartphones, eletrodomésticos e robôs.
Empresas chinesas buscam fortalecer marcas globais
A participação na IFA também reflete uma transformação na estratégia internacional de empresas chinesas.
Ye Can, responsável pelas operações europeias da WeBranding Global, afirmou que companhias chinesas estão deixando de concentrar seus esforços apenas na venda de produtos no exterior e passando a investir na construção de marcas e em presença permanente nos mercados internacionais.
A combinação entre capacidade produtiva, desenvolvimento tecnológico e eficiência operacional aparece como um dos principais fatores de competitividade.
Com a expansão de segmentos como robótica, hardware baseado em inteligência artificial e casas inteligentes, a presença chinesa na IFA Berlin 2026 mostra uma indústria cada vez mais voltada à transformação de tecnologias avançadas em produtos destinados ao uso cotidiano.
A feira também evidencia que a próxima etapa da inovação pode estar menos relacionada a equipamentos isolados e mais à integração entre máquinas, ambientes e serviços, criando experiências tecnológicas conectadas diretamente às necessidades dos consumidores.








