Uma nova plataforma digital desenvolvida pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) começa a operar nesta segunda-feira com o objetivo de reunir e cruzar dados socioambientais em nível municipal e estadual, permitindo mapear impactos associados à produção de commodities no Brasil.
A ferramenta integra informações de diferentes bases de dados e busca ampliar a rastreabilidade de cadeias produtivas como soja, café, cacau, palma, borracha e carne bovina, com foco em atender exigências internacionais, especialmente o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
A norma europeia estabelece restrições à importação de produtos ligados ao desmatamento, o que deve aumentar a pressão sobre cadeias produtivas brasileiras nos próximos anos, principalmente diante da aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia.
Segundo o ISPN, a plataforma reúne dados de 15 instituições nacionais e internacionais e cobre informações a partir de 2002, com atualização anual prevista. O sistema permite cruzar indicadores sobre desmatamento, conflitos fundiários, trabalho escravo, violência no campo, contaminação ambiental e uso da água.
A base de conflitos utilizada no sistema é fornecida pela Comissão Pastoral da Terra, e análises preliminares indicam que praticamente todos os municípios brasileiros registram algum tipo de conflito socioambiental.
Os dados também apontam correlação entre expansão de commodities e ocorrência de desmatamento, além de conflitos em regiões de mineração e disputa por recursos hídricos.
A plataforma ainda identifica situações como irregularidades fundiárias, incluindo a chamada “grilagem verde”, em que áreas ocupadas por comunidades tradicionais são registradas como reservas legais no Cadastro Ambiental Rural.
O sistema será apresentado a representantes de países europeus como França, Alemanha, Holanda, Bélgica e Dinamarca, em um encontro híbrido com participação presencial e remota.








