Com preço de R$ 1.341,59 por saca de 60 kg (café beneficiado), o valor recebido pelo cafeicultor é 35% inferior à média praticada em junho de 2025.
“O principal vetor dessa queda é a colheita de uma safra volumosa no Brasil, liderada por Minas Gerais, e com uma contribuição paranaense de cerca de 710 mil das 66,7 milhões de sacas a serem colhidas em território nacional neste ano”, diz o boletim semanal do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). “Como junho e julho marcam o pico da atividade no campo, a entrada dessa safra histórica continua exercendo forte pressão sobre o mercado”.
No varejo paranaense, o pacote de 500 g de café torrado e moído custou, em média, R$ 25,55 em junho — uma queda de 6% em relação a maio (R$ 27,13) e de 18% frente a junho de 2025 (R$ 31,14). “Esse recuo superior a R$ 5,00 reflete a comercialização dos grãos colhidos desde abril a preços mais baixos. Como o café colhido hoje leva cerca de um mês para chegar às prateleiras, a tendência de retração nos preços dos supermercados deve perdurar no curto prazo”, diz o boletim assinado por técnicos do Deral.
Chuvas
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o mercado cafeeiro foi fortemente influenciado pelo volume atípico de chuvas registrado nas principais regiões produtoras de arábica do Brasil em junho. Historicamente, este mês é caracterizado por precipitações muito limitadas, mas, em 2026, os volumes foram expressivos nas principais praças, comprometendo o andamento da colheita da safra 2026/27.
De acordo com pesquisadores do Cepea, além de derrubarem grãos dos pés, as chuvas inviabilizam a secagem nos terreiros e influenciam o aparecimento de mofo tanto nos grãos caídos no chão quanto naqueles ainda na planta, gerando preocupação relevante com a qualidade dos lotes.
De forma geral, segundo relatos de agentes consultados pelo Cepea, as condições climáticas atuais preocupam, visto que o excesso de chuvas nesse período pode induzir flores antecipadas nos cafezais, o que, por sua vez, pode atrapalhar a safra que será colhida no meio do ano que vem no Brasil. Além disso, os estoques globais de café seguem apertados e se conta muito com a produção brasileira para que os estoques de café arábica no mundo se elevem.








