A primeira projeção oficial da safra de inverno no Paraná será divulgada somente dia 26 de março. Mas já existe a expectativa de uma nova redução na área plantada de trigo, ficando abaixo dos 824 mil hectares colhidos no ciclo anterior.
Segundo o boletim semanal do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), essa retração na área inviabiliza um volume de colheita superior às 2,85 milhões de toneladas obtidas em 2025, quando o clima foi bastante favorável. Em contrapartida, as estimativas iniciais para o Rio Grande do Sul apontam para uma área superior a 1 milhão de hectares, ainda que o estado também apresente uma tendência de redução em comparação ao ciclo passado.
Atualmente, o Paraná não detém mais o posto de maior produtor de trigo do Brasil, tendo sido superado pelo Rio Grande do Sul nos últimos anos. Esse movimento decorre, em grande parte, do avanço tecnológico da segunda safra (safrinha), que levou o milho a ocupar áreas anteriormente dedicadas ao trigo, especialmente no Norte e Oeste paranaenses. No Sul e Sudoeste do estado, essa possibilidade é mais restrita, tal qual ocorre no Rio Grande do Sul. Impossibilitados de cultivar uma segunda safra de milho devido às limitações climáticas, os gaúchos consolidaram o trigo como sua principal cultura de inverno, assumindo a liderança nacional.
História
As quatro décadas de liderança produtiva (80,90,00 E 10) deixaram um robusto legado de industrialização no Paraná. Em meados da década de 2010, o estado assumiu o protagonismo na moagem nacional, superando a capacidade instalada do parque moageiro de São Paulo. Dados da Abitrigo revelam que o Paraná possui atualmente uma capacidade de moagem de 4 milhões de toneladas, tendo utilizado 87% desse potencial em 2024, índice significativamente superior à média nacional de (77%, das 13,2 milhões de toneladas).
“Diante dessa alta demanda industrial, o Paraná deve fortalecer seus laços comerciais no Mercosul. Já em 2025 as compras de trigo atingiram o recorde de 879 mil toneladas, com o volume adquirido sendo suprido equitativamente por cargas de origem paraguaia e argentina”, diz o boletim.








