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Campanha pede criação de reserva para proteger manguezal em Pernambuco

Por Erick Matias
26 de dezembro de 2025

Comunidades tradicionais, pescadores artesanais e mais de 50 instituições da sociedade civil pedem a criação da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Formoso, no litoral sul de Pernambuco. A nova reserva protegeria uma área de 2.240 hectares (ha) daquele que é considerado o último manguezal não urbano do estado.

Cerca de 2,3 mil pescadores dependem diretamente do ecossistema que abrange os municípios de Sirinhaém, Rio Formoso e Tamandaré. A luta pela criação da Resex vem de mais de 15 anos, mas ganhou novo fôlego com a campanha “Sem Mangue, Sem Beat”, que tem apoio de artistas, universidades, instituições ambientais e lideranças locais.

Os organizadores da campanha esperam que a governadora Raquel Lyra (PSD) apoie e envie o projeto para o presidente Lula nesta sexta-feira (18). A data é simbólica por ser o aniversário de 25 anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

Comunidades tradicionais

O movimento entende que a criação da reserva fortalece o modo de vida tradicional de comunidades pesqueiras e quilombolas, com acesso a crédito, ICMS Ecológico, segurança territorial e fomento ao turismo comunitário.

“Eu venho de uma família tradicional da pesca. O meu pai, a minha mãe, os meus avós eram, todos, pescadores. Fui criada nessa cultura. E, hoje, ela é importante para mim, porque é dela que eu sobrevivo. Se eu não lutar pelo mangue sadio, como é que eu vou sobreviver?”, questiona Arlene Maria, pescadora e liderança de Sirinhaém.

O manguezal concentra espécies como o caranguejo-uçá, o siri, o aratu e a ostra, importantes para a pesca artesanal e a culinária tradicional da região.

“O fungi é um prato indígena com influências africanas feito com massa de mandioca e sempre acompanhado de uma mariscada: marisco, ostra, siri, camarão, tudo isso vem do mangue. Mas, para preparar isso, ele precisa estar limpo e conservado. A resex é importante para garantir esse sustento. Sem mangue limpo, não tem mariscada. E sem mariscada, não tem fungi”, diz Marô do Fungi, cozinheira e pescadora de Rio Formoso.

Manguezal na área do Rio Formoso, no litoral sul de Pernambuco Crédito: Flavio Forner

Emergência climática

Segundo os organizadores da campanha, a conservação do manguezal tem relação direta com a pauta de preservação do clima. O ecossistema armazena até quatro vezes mais carbono que florestas tropicais e funciona como barreira natural da costa contra tempestades e ondas, como um filtro natural de água.

O manguezal integra um sistema marinho interligado a paleo canais, plataformas continentais e cânions submarinos. Também é berçário de espécies ameaçadas como o peixe-boi, cavalo-marinho e peixe mero, este dois em risco de extinção.

“Essa é uma área que as comunidades já protegem há décadas. Criar a resex é garantir por lei o que já acontece na prática. E também é uma chance de o Brasil chegar à COP30 com um exemplo concreto de conservação costeira e justiça climática”, diz Nátali Piccolo, diretora da Conservação Internacional (CI-Brasil), que apoia a campanha.

Campanha nacional

A campanha #SemMangueSemBeat possui uma plataforma online, em que compartilha informações, cartas de apoio e ferramentas de adesão ao movimento. Um dos principais chamados é para que as pessoas enviem mensagens à governadora de Pernambuco, para que ela apoie a causa.

O nome da campanha foi escolhido em homenagem ao movimento Manguebeat, que nasceu nos anos 1990, e que teve em Chico Science, Fred 04 e outros artistas seus principais nomes. A referência também fala de valorizar a liderança e o protagonismo das comunidades pesqueiras, que defendem parte da identidade cultural de Pernambuco.

Crédito arquivo Nacional EBC

Leia Mais em: O Maringá

Tags: CampanhacriaçãomanguezalparapedePernambucoprotegerreserva

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