A China tornou-se uma grande referência global em educação profissional, apontou Pedro José Filipe, secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social de Angola.
Em entrevista exclusiva à Xinhua durante a Conferência Mundial de Desenvolvimento da Educação Profissional e Técnica 2026, ocorrida de 15 a 17 de outubro no Município de Tianjin, no norte da China, Filipe disse que a China se tornou uma grande referência internacional em educação profissional e técnica, e que Angola, com mais de 60% de sua população com menos de 30 anos, deve tornar a formação profissional e o ensino técnico e profissional uma prioridade.
Filipe destacou que uma das características da China é o alinhamento estreito entre a formação profissional e as necessidades da indústria, bem como sua capacidade de articular empresas, instituições de ensino e a sociedade civil em um ecossistema colaborativo.
“Angola está empenhada em diversificar a sua economia, desenvolver a indústria nacional e promover o desenvolvimento tecnológico. Por isso, devemos olhar para a experiência chinesa como uma referência importante no domínio da formação profissional”, enfatizou.
Sobre a cooperação internacional em educação profissional, Filipe disse: “a formação profissional permite aos jovens desenvolver e demonstrar os seus talentos, qualificações e capacidades. No entanto, não podemos olhar para a formação profissional de forma isolada, sem ter devidamente em conta as necessidades do mercado de trabalho e os objetivos do desenvolvimento nacional e internacional.” Ele acrescentou que deve ser estabelecida uma ligação clara entre as metas de desenvolvimento nacional, as metas de desenvolvimento global e as prioridades da educação profissional.
“Só assim poderemos preparar os jovens com competências relevantes e criar melhores oportunidades de emprego, respondendo simultaneamente às necessidades do desenvolvimento econômico”, acrescentou.
A China estabeleceu 38 Oficinas Luban em 32 países, oferecendo educação acadêmica para mais de 30 mil estudantes e treinamento de habilidades para mais de 160 mil participantes.
As Oficinas Luban, que levam o nome de um notável artesão da China antiga, são projetos de educação profissional no exterior, estabelecidos conjuntamente por instituições educacionais chinesas e estrangeiras para oferecer programas acadêmicos e treinamento de habilidades.
Filipe elogiou as Oficinas Luban, dizendo que alguns países africanos já criaram Oficinas Luban, e Angola espera se beneficiar da iniciativa.
“As Oficinas Luban conseguem articular a teoria e a prática e colocar a formação técnica e o desenvolvimento das competências humanas no centro do processo educativo”, disse ele.
Ele acredita que o projeto proporcionará uma grande oportunidade para promover o crescimento e o desenvolvimento das competências técnico-profissionais, com resultados concretos para a indústria, o emprego e a capacitação dos jovens.
No que diz respeito à inteligência artificial (IA), Filipe apontou que Angola pode se beneficiar da cooperação com a China, especialmente ao aplicar o potencial da IA à indústria, à tecnologia e à educação.
“Angola enfrenta uma escassez de professores e de infraestruturas em várias regiões do país. Para chegar às comunidades mais remotas, precisamos de recorrer mais à tecnologia. A inteligência artificial e as novas ferramentas tecnológicas podem ajudar-nos a responder a estes desafios de forma mais rápida, eficaz e segura.”
A cooperação com a China continua a ser fundamental para o desenvolvimento nacional de Angola, acrescentou Filipe.

