Uma plataforma de computação espacial desenvolvida pela China começou recentemente a oferecer serviços experimentais regulares em órbita, abrindo novas possibilidades para o processamento de dados diretamente no espaço.
O sistema foi desenvolvido sob liderança da Universidade de Correios e Telecomunicações de Beijing (BUPT) e automatiza a comunicação entre satélites, servidores instalados no espaço, estações terrestres e centros de dados.
A plataforma permite que usuários realizem diferentes etapas de uma tarefa de computação espacial em um único sistema, desde o envio e a implantação até a execução, o acompanhamento das operações e o recebimento dos resultados.
A chamada computação espacial é um modelo tecnológico que transfere para plataformas orbitais recursos de processamento, armazenamento, análise de dados e tomada automatizada de decisões. Esses recursos podem ser instalados em satélites e outras estruturas espaciais.
O sistema chinês opera por meio da Constelação Tiansuan, lançada pela BUPT em 2021. Considerada pela universidade a primeira constelação de computação espacial do mundo, a estrutura conta com 16 satélites em órbita terrestre baixa e sete estações terrestres.
Até agora, a constelação já apoiou testes orbitais realizados por mais de 60 instituições e reuniu pesquisadores de mais de 50 países e regiões em seu ecossistema.
Entre os recursos oferecidos estão a criação de serviços reutilizáveis baseados em plataformas, o funcionamento confiável de softwares instalados em satélites durante longos períodos e o processamento de dados espaciais em tempo real.
A tecnologia também permite desenvolver sistemas capazes de tomar decisões de maneira mais autônoma diretamente em órbita.
Desde o início das operações, a plataforma foi utilizada em diferentes aplicações, incluindo computação de grandes volumes de dados em órbita e comunicações 6G. Segundo a universidade, mais de 100 usuários já utilizaram os serviços da plataforma.
Uma das principais vantagens apontadas para a computação espacial é a possibilidade de realizar processamento de dados com baixa latência e oferecer cobertura global.
Em comparação com centros de processamento terrestres, os sistemas orbitais podem reduzir algumas limitações relacionadas ao consumo de energia, disponibilidade de espaço físico e necessidade de sistemas tradicionais de refrigeração.
Especialistas chineses avaliam que a computação espacial poderá atender parte da crescente demanda mundial por capacidade de processamento em larga escala, com aplicações voltadas a diferentes regiões do planeta.
A tecnologia também poderá ser utilizada em áreas que exigem respostas rápidas e processamento inteligente de informações, incluindo emergências, monitoramento dos oceanos, aviação, navegação e pesquisas em regiões polares.
Para a BUPT, o desenvolvimento dessa infraestrutura representa uma mudança no setor espacial, que pode deixar de concentrar seus negócios apenas na fabricação e fornecimento de equipamentos para oferecer serviços contínuos de processamento e comunicação.
A expansão da computação espacial também pode impulsionar segmentos como internet via satélite, 6G, exploração espacial comercial e sistemas de comunicação para situações de emergência, áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento tecnológico chinês nos próximos anos.



