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435 dias sem chuva: aridez e resiliência na HQ ‘Como pedra’

Por Cristiano Monteiro Martinez
25 de abril de 2024
Um dos primeiros quadrinhos da HQ (Crédito: Reprodução)

Um dos primeiros quadrinhos da HQ (Crédito: Reprodução)

Pedra, seca, Rosa, Cristo, mulher sem nome e o fanatismo. Tudo isto (e muito mais) em preto e branco manchado pela cor laranja (ou tons amarelos). São quase 200 páginas de narrativa. Ou melhor, mais de 400 dias sem chuva.

Por meio de silêncios, resiliência, solidão, diálogos duros e aridez, o autor potiguar Luckas Iohanathan elabora “Como pedra”, HQ publicada em 2023 pela Comix Zone. Não por sinal, o quadrinista nasceu na cidade de Mossoró, interior do Rio Grande do Norte, capital do Semiárido brasileiro.

“No árido Sertão nordestino, uma família luta contra a cruel dança da seca e da fome. Contudo, o verdadeiro desafio transcende as agruras da natureza. A filha do casal, aprisionada em uma cadeira de rodas, enfrenta uma doença silenciosa, que a priva do movimento e da voz”, diz a sinopse oficial desse quadrinho.

O cenário de “Como pedra” é de desesperança e escassez. O sertanejo Cristo, de Cristovão, não consegue emprego e tampouco alimento. Tudo o que lhe resta, em meio à falta de chuvas, é sua vaca Beatriz e as galinhas. É deste ser bovino que o personagem tira o leite para o sustento. Mas a situação vem se agravando a cada dia que se passa.

Já sua esposa, “não tenho nome”, se apega à religião, procurando na leitura da Bíblia um rumo, uma explicação. E à relação incondicional com Rosa, uma esperança de germinar em meio à terra seca, há mais de 300 dias sem chuva (no início da narrativa).

Até que o filho mais velho desse casal retorna na companhia de O Sonhador, uma espécie de Messias do agreste. O fanatismo religioso emerge com sua visão radical e ameaçadora.

Sequência com o casal protagonista da história (Crédito: Reprodução)

Estilo leve e poucas linhas
Luckas imprime um traço leve e solto ao quadrinho, formando imagens com poucas linhas na composição. Se fosse traçar um equivalente na literatura, seria como uma narrativa dura, seca, econômica nas palavras. Mal comparando, claro. Pois obra literária é uma coisa, quadrinho é outra bem diferente. Cada qual com sua linguagem.

Ainda mais porque “Como pedra” pode parecer, na superfície, uma graphic novel (“romance gráfico”, em tradução livre) objetiva e direta. Mas não é. Cada sequência de quadros e imagens apresentadas têm seu simbolismo, sua polissemia. É tudo mostrado de maneira sensível e contida, mesmo nas cenas de violência.

Aliás, as personagens sofrem com a violência em todos os sentidos: falta de comida e afeto, desamparado, desesperança, manipulação, ausência do Estado, intempéries climáticas, incomunicabilidade.

A figura da “pedra”, do título, carrega diversos significados ao longo da história: fardo, morte, resolução, condição, alimentação inadequada etc. Na epígrafe dessa HQ, um trecho de “O Mito de Sísifo”, do filósofo e escritor argelino Albert Camus (1913-1960): “Deixo Sísifo na base da montanha! As pessoas sempre reencontram seu fardo. Mas Sísifo ensina a felicidade superior que nega os deuses e ergue as rochas. Também ele acha que está tudo bem. Este universo, doravante sem dono, não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão dessa pedra, cada fragmento mineral dessa montanha cheia de noite forma por si só um mundo. A própria luta para chegar ao cume basta para encher o coração de um homem. É preciso imaginar Sísifo feliz”.

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Hades a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha, sendo que, toda vez que estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida. É que Sísifo enganou e aprisionou até a Morte, Tânatos (a personificação da morte), e driblou o próprio destino.

Trocando em miúdos, as personagens de “Como pedra” carregam sua respectiva pedra; ou a atiram.

Em resumo, por trás da “narrativa leve”, de grande fluência para o leitor e a leitora, a HQ de Luckas reserva dureza e aridez. E com um final catártico, após uma sequência de tirar o fôlego.

Personagem Rosa vive na cadeira de rodas e não fala (Crédito: Reprodução)

Edição de luxo em capa dura
Com o escritor Ferréz e Thiago Ferreira no comando, a Comix Zone é uma editora que já mostrou há muito tempo sua importância no mercado brasileiro de quadrinhos, abrindo espaço para autores nacionais e internacionais. Tem bibliodiversidade.

“Como pedra” só confirma isso. Trata-se de uma edição com acabamento de luxo, capa dura, 200 páginas coloridas em tons amarelos (ou laranja), impressas em papel pólen de alta gramatura.

Essa HQ recebeu Menção Honrosa no 1º Prêmio Latino-Americano de Quadrinhos, em 2022.

Autor
Luckas Iohanathan nasceu em 1994 na cidade de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte. Formou-se em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, mas sua verdadeira paixão são as histórias em quadrinhos.

“O Monstro Debaixo da Minha Cama”, sua primeira obra, foi publicada gratuitamente na internet em 2020 e indicada ao 33º Troféu HQMix nas categorias Publicação Independente de Edição Única e Novo Talento Roteirista, e venceu a 2ª edição do Prêmio Geek de Literatura em 2023.

Atualmente, ele mora em Rosário, na Argentina, com sua noiva. Trabalha como diretor de arte e ilustrador freelancer há quase dez anos.

Capa da edição da Comix Zone (Crédito: Reprodução)

Serviço
A obra “Como pedra”, de Luckas Iohanathan, está disponível para aquisição em sites de livros ou em livrarias físicas.

Tags: FerrézHQLuckas IohanathanQuadrinhosThiago Ferreira

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