Uma das atrações da Roda de Choro Itinerante – projeto que começou nesta quinta-feira, 11 de dezembro, e se estende até domingo, 14 – é a parte formativa, com quatro oficinas sendo ministradas no Centro de Ação Cultural Márcia Costa (CAC), em Maringá.
É o caso da atividade de pandeiro e percussão, com Marcus Thadeu. Percussionista de referência, com trabalho marcante no choro e na música brasileira, ele compartilha técnicas de pandeiro, ritmos tradicionais, conduções, acentos, linguagem rítmica e aquele balanço que faz a roda girar bonito. É uma verdadeira imersão para quem quer desenvolver precisão, criatividade e musicalidade na percussão.
À reportagem, Thadeu explica que, como se trata de uma turma já iniciada, principalmente pelo trabalho do professor Andro Gustavo do maringaense Maraka Trio, a abordagem da oficina envereda pela linguagem da percussão dentro do choro. “Para falar das diferentes linhagens rítmicas dentro do choro”, citando o choro sambado, o maxixe, a polca, o xote e até mesmo o baião. “E sempre galgando na importância do regional de choro. Como a percussão trabalha dentro do conjunto regional e na formação maior, de banda”, referindo-se à prática do “bandão” durante as oficinas.
Show de encerramento
O encerramento da Roda de Choro Itinerante é neste domingo, 14 de dezembro, na Travessa Jorge Amado (ao lado do Mercadão), com uma sequência de shows que reúne alunos do festival, grupos locais e convidados especiais.
As apresentações começam às 16h com os estudantes, seguidos por Maraka Trio + Jayme Vignoli e Marcus Thadeu (17h), Regional Ginga Ligeira (18h) e o duo Alessandro Penezzi e Nailor Proveta (19h).
Colega de Vignoli, que conhece há 20 anos, Thadeu vê com muita alegria essa apresentação em conjunto. “E a gente vai fazer esse show junto com a galera do Maraka Trio, do qual sou fã”, diz o percussionista, lembrando que já tocou com o Maraka em Maringá, no ano de 2022; além de ter participado do lançamento do disco autoral dos maringaenses, “Imune”. Thadeu voltou à Cidade Canção no ano passado, para fazer um show com Glória Bonfim.

Cena do choro no Brasil
Na avaliação de Marcus Thadeu, o choro nunca desapareceu por completo, mesmo nos períodos de seca, e nos últimos 25 anos esse gênero genuinamente brasileiro tem passado por um “boom” no país. “Sempre existiram pessoas segurando essa bandeira e com essa gana, vontade, de passar para frente, atingindo as novas gerações. Eu acho que é nisso que o choro ganha muito, por ser uma música que engloba tanto a pessoa em início quanto aquele que já toca”, destacando que o ambiente da roda de choro é democrático e inclusivo, com troca de ideias.
Thadeu identifica uma cena movimentada em cidades como Maringá, Londrina e Curitiba no Paraná. Além, claro, do Rio de Janeiro e de Estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, chegando até a região Nordeste. Na verdade, o choro extrapola fronteiras, sendo tocado e ouvido em outros países, casos da França, Portugal, EUA e Holanda. “É uma música que tem viajado bastante”.
Segundo o percussionista, o choro é a grande escola do músico brasileiro. Todo instrumentista já passou por ela.

Trajetória
Marcus Thadeu é músico profissional há pelo menos 25 anos, tendo iniciado em Cordeiro, cidade do interior do Rio de Janeiro, com o grupo Os Matutos. Os estudos começaram na Escola Portátil de Música (EPM).
Realização
A Roda de Choro Itinerante é realizada pelo Cottonet-Clube e Maraka Produções, com patrocínio da Sanna e da Usina Santa Terezinha, por meio da Lei Rouanet. A iniciativa conta com o fomento da Acim e do Instituto Cultural Ingá, e o apoio do Mercadão Maringá, Fratello e MR Tendas e Eventos.








