Em clima de Copa do Mundo, a troca/compra de figurinhas de jogadores para formar o álbum oficial volta com tudo. É uma febre nacional, envolvendo crianças e adultos, além de movimentar o mercado de publicação de impressos, com destaque para as tradicionais bancas de jornal.
Nesse cenário, imagine estourar um esquema de falsificação de cromos raros, botando o dono de uma editora em polvorosa? No mundo real, hoje isso é quase improvável. Mas no universo da ficção, é praticamente jogar gasolina na fogueira.
Em cartaz nos cinemas do país (consultar programação das salas do circuito comercial em Maringá), o filme “O gênio do crime” (2026, 90 min.) acompanha um grupo de amigos que passa a investigar um esquema de falsificação de figurinhas da Copa do Mundo em São Paulo.
Durante o evento, colecionar o álbum de figurinhas da competição é a maior febre no Colégio Três Bandeiras. Gordo é o líder de um grupo que está empenhado em completar o álbum. O problema é que uma operação de figurinhas falsas entra no caminho dos amigos. Agora, com a ajuda de seus colegas, em especial a esperta Berenice, por quem Gordo se apaixona, o jovem colecionador precisará desvendar esse mistério repleto de suspense, aventura e humor.
Dirigido por Lipe Binder, a partir do roteiro de Ana Reber, com produção da Boutique Filmes em coprodução da Globo Filmes, esse longa-metragem é baseado em um clássico da literatura infantojuvenil brasileira, publicado em 1969: “O gênio do crime”, do escritor carioca radicado em São Paulo João Carlos Marinho (1935-2019). Trata-se do primeiro livro estrelado pela Turma do Gordo, um grupo de crianças que investiga casos policiais ao longo de uma dezena de títulos.
Advogado por profissão, o autor ficou conhecido no universo das letras por essa série literária, de grande sucesso entre leitores e crítica. Por “Sangue fresco”, Marinho recebeu o Prêmio Jabuti e o Grande Prêmio da Crítica (APCA). Já a obra “Berenice detetive” foi agraciada com o Prêmio Mercedes-Benz, que é considerado um dos mais importantes destinados a obras infantojuvenis no país.
Já “O gênio do crime” passou da 60ª edição e, por conta da nova adaptação ao cinema, a editora Global lançou um volume com capa inspirada no pôster do filme. Não é a primeira vez que esse clássico da literatura ganha versão na telona. Em 1973, foi adaptado com o título “O detetive Bolacha contra o gênio do crime”, tendo direção de Tito Teijido – disponível gratuitamente no YouTube.
Na nova edição da Global, o projeto gráfico foi atualizado com um estilo mais moderno e jovem, fotos reais da capital paulista para ampliar a ambientação. A atualização também se reflete no universo do futebol: se no livro original a figurinha mais rara era a de Rivelino, ídolo histórico da seleção brasileira, a adaptação das telonas aproxima a narrativa do presente ao eleger Vini Jr. como o jogador cobiçado do álbum.

História
Para quem não conhece, a história original acompanha Edmundo, Pituca, Bolachão e, mais adiante, Berenice, na investigação de uma fábrica clandestina que falsifica figurinhas raras de futebol, ameaçando o negócio de seu Tomé, dono de uma fábrica oficial, e provocando uma verdadeira revolta entre os jovens colecionadores.
O segredo de Marinho é uma narrativa dinâmica, objetiva e de muita ação, com capítulos curtos e recheados de ganchos para a próxima cena ou lance da obra. É preciso descontar, claro, as questões de linguagem e gírias da época, pois “O gênio do crime” foi lançado em 1969. Inclusive, é preciso situar os estereótipos e visão de mundo, para não fazer um julgamento anacrônico.
De maneira geral, o autor tem uma escrita muito boa e envolvente, propondo ao leitor acompanhar, junto com a Turma do Gordo, o quebra-cabeça para descobrir quem está aplicando o golpe das figurinhas falsificadas que pode levar o dono da editora Escanteio à falência. Até um detetive escocês é contratado para fazer uma investigação em paralelo às crianças.
É um típico romance policial de enigma, cujo formato se consagrou nas mãos habilidosas de Sir Arthur Conan Doyle (do icônico investigador Sherlock Holmes) e Agatha Christie (de detetives como Hercule Poirot e Miss Marple), só para ficar em dois exemplos do gênero para adultos. No Brasil, esse modelo ganhou forma em publicações para crianças e adolescentes, vide as obras de sucesso de Marcos Rey (“O mistério do Cinco Estrelas”) e Stela Carr (“O enigma do autódromo de Interlagos”) e, claro, a Série Vaga-Lume, que marcou gerações de jovens leitores. Geralmente, são narrativas protagonizadas por jovens, às voltas com crimes e mistérios.
Caso da Turma do Gordo, formada por crianças de 11 anos cujo cérebro é o Bolacha. “O gênio do crime” tem mais de um milhão de exemplares vendidos e 60 edições publicadas desde o final dos anos de 1960.
Filme
No filme de Lipe Binder, que tem distribuição da Paris Filmes e estreou no Brasil em 14 de maio, o Gordo e seus amigos tentam, durante a Copa do Mundo, completar o álbum de figurinhas do colégio. Ao descobrir um esquema de falsificação de figurinhas, ele inicia uma investigação cheia de suspense, aventura e humor, ao lado dos amigos e de Berenice, por quem se apaixona, enquanto buscam revelar a verdade.
O elenco reúne Ailton Graça, Marcos Veras, Douglas Silva, Francisco Galvão, Bella Alelaf, Samuel Estevam e Breno Kaneto.








