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‘O gênio do crime’, clássico da literatura infantojuvenil, investiga falsificação das figurinhas de álbum

Por Cristiano Monteiro Martinez
18 de maio de 2026
Cena do filme baseado no livro de João Carlos Marinho (Crédito: Divulgação)

Cena do filme baseado no livro de João Carlos Marinho (Crédito: Divulgação)

Em clima de Copa do Mundo, a troca/compra de figurinhas de jogadores para formar o álbum oficial volta com tudo. É uma febre nacional, envolvendo crianças e adultos, além de movimentar o mercado de publicação de impressos, com destaque para as tradicionais bancas de jornal.

Nesse cenário, imagine estourar um esquema de falsificação de cromos raros, botando o dono de uma editora em polvorosa? No mundo real, hoje isso é quase improvável. Mas no universo da ficção, é praticamente jogar gasolina na fogueira.

Em cartaz nos cinemas do país (consultar programação das salas do circuito comercial em Maringá), o filme “O gênio do crime” (2026, 90 min.) acompanha um grupo de amigos em São Paulo que passa a investigar um esquema de falsificação de figurinhas da Copa do Mundo.

Durante o evento, colecionar o álbum de figurinhas da competição é a maior febre no Colégio Três Bandeiras. Gordo é o líder de um grupo que está empenhado em completar o álbum. O problema é que uma operação de figurinhas falsas entra no caminho dos amigos. Agora, com a ajuda de seus colegas, em especial a esperta Berenice, por quem Gordo se apaixona, o jovem colecionador precisará desvendar esse mistério repleto de suspense, aventura e humor.

Dirigido por Lipe Binder, a partir do roteiro de Ana Reber, com produção da Boutique Filmes em coprodução da Globo Filmes, esse longa-metragem é baseado em um clássico da literatura infantojuvenil brasileira, publicado em 1969: “O gênio do crime”, do escritor carioca radicado em São Paulo João Carlos Marinho (1935-2019). Trata-se do primeiro livro estrelado pela Turma do Gordo, um grupo de crianças que investiga casos policiais ao longo de uma dezena de títulos.

Advogado por profissão, o autor ficou conhecido no universo das letras por essa série literária, de grande sucesso entre leitores e crítica. Por “Sangue fresco”, Marinho recebeu o Prêmio Jabuti e o Grande Prêmio da Crítica (APCA). Já a obra “Berenice detetive” foi agraciada com o Prêmio Mercedes-Benz, que é considerado um dos mais importantes destinados a obras infantojuvenis no país.

Já “O gênio do crime” passou da 60ª edição e, por conta da nova adaptação ao cinema, a editora Global lançou um volume com capa inspirada no pôster do filme. Não é a primeira vez que esse clássico da literatura ganha versão na telona. Em 1973, foi adaptado com o título “O detetive Bolacha contra o gênio do crime”, tendo direção de Tito Teijido – disponível gratuitamente no YouTube.

Na nova edição da Global, o projeto gráfico foi atualizado com um estilo mais moderno e jovem, fotos reais da capital paulista para ampliar a ambientação. A atualização também se reflete no universo do futebol: se no livro original a figurinha mais rara era a de Rivelino, ídolo histórico da seleção brasileira, a adaptação das telonas aproxima a narrativa do presente ao eleger Vini Jr. como o jogador cobiçado do álbum.

Capa da 60ª edição do livro publicado pela editora Global (Crédito: Reprodução)

História
Para quem não conhece, a história original acompanha Edmundo, Pituca, Bolachão e, mais adiante, Berenice, na investigação de uma fábrica clandestina que falsifica figurinhas raras de futebol, ameaçando o negócio de seu Tomé, dono de uma fábrica oficial, e provocando uma verdadeira revolta entre os jovens colecionadores.

O segredo de Marinho é uma narrativa dinâmica, objetiva e de muita ação, com capítulos curtos e recheados de ganchos para a próxima cena ou lance da obra. É preciso descontar, claro, as questões de linguagem e gírias da época, pois “O gênio do crime” foi lançado em 1969. Inclusive, é preciso situar os estereótipos e visão de mundo, para não fazer um julgamento anacrônico.

De maneira geral, o autor tem uma escrita muito boa e envolvente, propondo ao leitor acompanhar, junto com a Turma do Gordo, o quebra-cabeça para descobrir quem está aplicando o golpe das figurinhas falsificadas que pode levar o dono da editora Escanteio à falência. Até um detetive escocês é contratado para fazer uma investigação em paralelo às crianças.

É um típico romance policial de enigma, cujo formato se consagrou nas mãos habilidosas de Sir Arthur Conan Doyle (do icônico investigador Sherlock Holmes) e Agatha Christie (de detetives como Hercule Poirot e Miss Marple), só para ficar em dois exemplos do gênero para adultos. No Brasil, esse modelo ganhou forma em publicações para crianças e adolescentes, vide as obras de sucesso de Marcos Rey (“O mistério do Cinco Estrelas”) e Stela Carr (“O enigma do autódromo de Interlagos”) e, claro, a Série Vaga-Lume, que marcou gerações de jovens leitores. Geralmente, são narrativas protagonizadas por jovens, às voltas com crimes e mistérios.

Caso da Turma do Gordo, formada por crianças de 11 anos cujo cérebro é o Bolacha. “O gênio do crime” tem mais de um milhão de exemplares vendidos e 60 edições publicadas desde o final dos anos de 1960.

Filme
No filme de Lipe Binder, que tem distribuição da Paris Filmes e estreou no Brasil em 14 de maio, o Gordo e seus amigos tentam, durante a Copa do Mundo, completar o álbum de figurinhas do colégio. Ao descobrir um esquema de falsificação de figurinhas, ele inicia uma investigação cheia de suspense, aventura e humor, ao lado dos amigos e de Berenice, por quem se apaixona, enquanto buscam revelar a verdade.

O elenco reúne Ailton Graça, Marcos Veras, Douglas Silva, Francisco Galvão, Bella Alelaf, Samuel Estevam e Breno Kaneto.

Tags: “O gênio do crime”Copa do MundoJoão Carlos MarinhoLiteraturavini jr

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