Abrindo a programação do projeto Sesc Mulheres em Maringá, a unidade local do Sesc recebeu na noite desta quinta-feira, 5 março, a militante acadêmica antirracista Carla Akotirene para o bate-papo “O feminismo negro e o direito ao afeto”.
Com mediação de Anire Niara, que é comunicadora e uma pessoa preta travesti, como ela mesma se apresentou, a conversa reuniu um bom público ao teatro do Sesc Maringá.
De maneira geral, o encontro abordou o papel da mulher negra na sociedade e o direito ao afeto, ao amor. “O afeto e o desejo são construtos sociais. Mas o afeto é a maneira de se demorar em termos de organização política. Nem sempre o nosso desejo é levado adiante. Você deseja hoje, mas você é alfabetizado em novas gramáticas de amor a ponto do desejo ficar para trás”, disse Akotirene.
A convidada refletiu ainda que o amor é político, a maior de todas as inteligências e que faz a revolução acontecer. Mas que não é tão bem visto e defendido, exemplificando como, no Brasil, prefere-se os a organização defendida por Malcom X aos ideais de Martin Luther King, dois líderes históricos da luta antirracista nos Estados Unidos.
Ao longo do bate-papo, que durou pouco mais de uma hora e meia, a mediadora explorou temas relacionados à corporalidade negra, mãe preta, relações sociais etc. Akotirene fez análises, reflexões e interessantes digressões, arrancando aplausos e entusiamos da plateia.
Vale lembrar que, embora mulheres negras sejam maioria entre as chefes de família, isso não se reflete entre mulheres casadas. A solidão da mulher negra é estrutural e resultado de séculos de desumanização.
O propósito do evento no Sesc Maringá era refletir, sob perspectiva da afetividade, como o amor e o afeto ainda são negados como experiência e como, para mulheres negras, amarem e serem amadas torna-se um ato de transgressão e resistência. A abertura foi feita pela orientadora de atividades do Sesc Nayane de Abreu Schamberlain.

Trajetória
Carla Akotirene é militante acadêmica antirracista que concentra estudos sobre extermínio de jovens negros, prisionizacão e racismo institucional. É doutora em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e publicou os livros “O que é interseccionalidade?” e “Ó Paí Prezada!” e “É fragrante fojado dôtor vossa excelência”.
Atualmente coordena a Opará Saberes, curso de extensão da UFBA voltado à capacitação de candidaturas negras na pós-graduação em universidades públicas. É seguida por quase 500 mil pessoas nas redes sociais.












