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Documentário traz visão de crianças sobre violência policial em favela

Por Redação 2 O Maringá
17 de dezembro de 2025

“Mais de 135 anos após o fim da escravidão do povo preto e continuam nos tratando da mesma forma, como bichos, e, não, seres humanos. Parem de nos matar! Essa carta é um pedido de socorro, espero que dessa vez vocês nos ouçam”.

Esse é um dos trechos da carta que Luiz Fernando, um adolescente de 14 anos, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ex-morador do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ele pede ajuda contra a violência policial nas favelas. Argumenta, convicto, de que a chamada “guerra às drogas” é, na verdade, uma “guerra contra pretos e pobres”.

O pedido de socorro de Luiz Fernando está no documentário Cartas pela Paz, que começa a ser exibido nesta quinta-feira (3), no Festival É Tudo Verdade, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O curta, com duração de 26 minutos, é uma coprodução da Amana Cine, Jac Produções e Piloto Filmes, financiado pela RioFilme. Foi gravado em julho e agosto de 2023, no Complexo da Maré e na Cidade de Deus.

>>> Movimentos de favela e vítimas da polícia defendem ADPF das Favelas

 Menino lê carta enviada ao STF por paz nas favelas Cartas Pela Paz/Divulgação

Na produção, cinco meninos e meninas moradores de favelas reivindicam o direito de brincar, estudar e viver sem medo.

“Neste momento, dá um medo. O coração começa a bater rápido, frio na barriga, um desespero e pânico. Então, fizemos o que minha mãe ensina. Trancamos a porta e ficamos abaixados na parte da casa que tem mais paredes para nos proteger dos possíveis tiros”, escreve Luiz Fernando em um dos trechos da carta.

“Só queremos nossos direitos, porque, na Zona Sul, eles entram na sua casa com um mandado de busca e apreensão. E na favela, não é assim? Por que as operações na favela não são executadas igual as de Copacabana, por exemplo?”, diz outro trecho.

O curta-metragem estreia em meio às discussões sobre a ADPF 635, também conhecida como ADPF das Favelas, que voltou a ser julgada nesta quinta-feira (3) pelo STF.

>>> Confira o resultado do julgamento da ADPF das Favelas

“O nosso objetivo é sensibilizar os ministros do STF e a sociedade como um todo. Para que, na hora de julgar a ADPF, eles saibam como é a vida das pessoas, especialmente das crianças, que vivem nas favelas. Porque é como se elas fossem impedidas de ter um futuro”, diz a diretora e roteirista Thays Acaiabe.

A ideia de produzir o filme surgiu, segundo as diretoras, depois de uma reportagem que mostrava uma iniciativa de moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, de recolher 1.500 cartas de moradores e enviar ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 2019. Os pedidos eram para que as operações policiais respeitassem os termos da Constituição Brasileira.

“A partir do olhar das crianças, a gente quer questionar a política de segurança pública no Brasil. A gente não é contra as operações policiais, mas pede que elas aconteçam conforme a Constituição. A gente quer que os direitos fundamentais sejam respeitados nos territórios de favelas, como são respeitados em bairros como Leblon e Ipanema. O que a gente está pedindo é igualdade”, diz Thays Acaiabe.

Cartas Pela Paz terá quatro sessões no Festival É Tudo Verdade, que este ano comemora sua 30ª edição. A produção que ganhar o prêmio de melhor curta na mostra competitiva será qualificada para a disputa pela indicação de melhor curta documentário do Oscar.

Adolescente escreve carta ao STF por paz nas favelas Cartas Pela Paz/Divulgação

Exibições do documentário Cartas pela Paz

São Paulo

04/04 – 15:00 – Cinesesc (Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César)

08/04 – 14:30 – Cinemateca (Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino)

Rio de Janeiro

07/04 – 18:30 – Estação Net Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 88 – Botafogo)

10/04 – 16:00 – Estação Net Rio (Rua Voluntários da Pátria, 35 – Botafogo)

Crédito arquivo Nacional EBC

Leia Mais em: O Maringá

Tags: CriançasDocumentáriofavelaPolicialSOBREtrazviolênciavisão

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