Beijing, 12 out (Xinhua) — O Diálogo Estratégico Mingde 2026, encerrado em Beijing no domingo, reuniu acadêmicos e pensadores estratégicos de todo o mundo para explorar as novas oportunidades que o desenvolvimento da China oferece ao mundo.
Durante o evento de seis dias, com o tema “Resiliência e Vitalidade: Novas Oportunidades que o Desenvolvimento da China Traz ao Mundo”, os representantes internacionais participaram de visitas de campo e debates públicos.
Organizado pela Universidade Renmin da China (RUC, sigla em inglês), o diálogo levou os participantes a Xinyu, na Província de Jiangxi, no leste da China, e a Wenzhou, na Província de Zhejiang, também no leste do país, antes de se reunirem em Beijing para discutir o crescimento resiliente da China e explorar novas abordagens para a recuperação econômica global e o desenvolvimento sustentável.
Ao discursar no fórum em Beijing no domingo, Jennifer Shipley, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, disse em seu discurso que, ao refletir sobre quem contribuiu para o crescimento global nas últimas duas décadas, as estatísticas de crescimento global seriam “bastante desanimadoras sem o impulso da China”.
“Em um momento de volatilidade, todos buscamos âncoras estáveis nas quais possamos confiar e caminhos que levem à prosperidade mútua”, disse ela, acrescentando que a China tem dado uma contribuição extraordinária para ambos ao longo de um período prolongado.
Ao participar do Fórum de Desenvolvimento Empresarial de Wenzhou 2026 — Diálogo do Think Tank do Cinturão e Rota de Zhejiang, em Wenzhou, Shipley disse à Xinhua que o grande mercado consumidor e a crescente classe de renda média na China oferecem oportunidades para o desenvolvimento industrial e o comércio internacional.
Rejeitando a visão de que o desenvolvimento da China tenha atingido seu auge, ela assinalou que, por meio de planejamento de desenvolvimento, investimentos estratégicos e liderança decisiva, a China construiu novas indústrias em períodos relativamente curtos e obteve avanços significativos em áreas como veículos elétricos, ao mesmo tempo que continua a avançar na robótica.
Mulatu Teshome, ex-presidente da Etiópia, afirmou em seu discurso no domingo que a China tornou a energia renovável mais acessível e econômica, uma oportunidade compartilhada para construir um planeta sustentável.
John Ross, ex-diretor de política econômica e empresarial do prefeito de Londres, no Reino Unido, e pesquisador sênior do Instituto Chongyang de Estudos Financeiros da RUC, observou que os modelos de IA de código aberto da China poderiam ajudar a tornar a IA mais acessível em todo o Sul Global, destacando mais uma área em que o desenvolvimento da China poderia beneficiar outros países.
Refletindo sobre toda a viagem à China, incluindo visitas a cidades de menor porte, a uma siderúrgica e a uma empresa de mineração de lítio, muitos participantes descreveram as visitas como “reveladoras”.
“A China fez avanços significativos em áreas como inteligência artificial, automação, infraestrutura, baterias e energia renovável”, disse Glenn Diesen, professor da Universidade do Sudeste da Noruega.
George Galloway, ex-membro do Parlamento do Reino Unido, ficou profundamente impressionado com a visita a uma siderúrgica em Xinyu, na Província de Jiangxi, onde viu aço tão fino que podia ser rasgado com as mãos.
Sobre quais lições o mundo poderia extrair do notável desenvolvimento da China, Richard Caplan, professor de relações internacionais da Universidade de Oxford, disse em entrevista à Xinhua que a China oferece uma alternativa aos modelos de desenvolvimento historicamente promovidos por instituições internacionais.
“A experiência da China atraiu considerável interesse dos países em desenvolvimento, particularmente na África, onde alguns países a veem como um modelo que vale a pena estudar e, potencialmente, adaptar às suas próprias circunstâncias”, disse o professor.
Radhika Desai, professora de estudos políticos da Universidade de Manitoba, no Canadá, disse à margem do fórum de domingo que uma lição que o resto do mundo poderia tirar da trajetória de desenvolvimento da China é a importância do planejamento abrangente, mesmo em economias com um grande setor privado.
Olhando para o futuro, a cooperação continuará sendo fundamental para enfrentar os desafios econômicos comuns. Diesen disse que as preocupações europeias com a competitividade industrial, o setor automotivo e a soberania tecnológica poderiam ser abordadas por meio da cooperação com empresas chinesas.
Para a Etiópia, disse Mulatu, é necessária uma cooperação mais profunda com empresas chinesas nos setores de mineração, agricultura, manufatura e infraestrutura. Ele também destacou o tratamento de tarifa zero concedido pela China aos países africanos qualificados como uma oportunidade para expandir as exportações. Fim


