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Com baixa cobertura vacinal, pólio volta a ser preocupação

Por Luiz de Carvalho
14 de setembro de 2022

Muitos dos pais brasileiros não viram ou se esqueceram de amigos, parentes e outras pessoas que foram vítimas da poliomielite antes que a doença fosse erradicada no país, pessoas que morreram porque tiveram partes vitais do corpo paralisadas, pessoas que foram condenadas a passar toda a existência sem vida nas pernas, muitas delas sobre cadeiras de rodas, outras usando muletas e ainda algumas com pesados aparelhos de ferro nas pernas para conseguirem se manter em pé.

Isto é o que demonstra o baixo índice de vacinação de crianças de 1 a 5 anos de idade contra a poliomielite. A campanha que o Ministério da Saúde iniciou no País já era para ter atingido um índice de 95% do público alvo, porém, nesta semana ainda está em 35%.

Nesta semana, o Ministério da Saúde anunciou que vai prorrogar a campanha de vacinação contra a poliomielite até o dia 30. Ao mesmo tempo, o governo vai intensificar uma campanha de conscientização na imprensa e na internet a fim de convencer os pais do risco que seus filhos correm com a possível volta da doença ao país. Essas medidas, segundo a pasta, visam aumentar a cobertura vacinal e a adesão da população à vacinação.

 

Também em Maringá

“A poliomielite é uma doença que, apesar de estar erradicada no Brasil, continua sendo endêmica em outros países, como Afeganistão, Nigéria e Paquistão, ou seja, ainda existe risco de contágio. A pólio é uma doença perigosa que pode provocar, principalmente, a paralisia infantil. Precisamos cuidar das nossas crianças”, disse o secretário de Saúde de Maringá, Clóvis Melo, ao anunciar que o município segue a orientação do Ministério da Saúde, prorrogando a campanha de vacinação até o dia 30.

Desde quinta-feira, 8, a vacinação contra poliomielite acontece também nos Centros Municipais de Ensino Infantil (Cmeis) da cidade para alcançar o maior número de crianças. No dia 17, junto às ações do Setembro Amarelo na Praça da Catedral, também haverá vacinação contra poliomielite a partir das 9h. E no dia 24, um sábado, haverá mutirão de vacinação na UBS Pinheiros, das 8 às 13 horas.

Em Maringá, são cerca de 22 mil crianças com menos de cinco anos que precisam ser imunizadas.

 

 

Preocupação é grande

A baixa cobertura vacinal observada no Brasil contra a doença nos últimos anos tem preocupado especialistas, que alertam que esse cenário pode provocar a reintrodução do vírus no país. “Aqui no país, nós temos um risco de reintrodução [do vírus] com esse cenário de baixa cobertura vacinal”, falou Caroline Gava, assessora técnica do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Programa Nacional de Imunizações.

“As últimas campanhas exclusivas [para a pólio] foram em 2018 e em 2020, onde já não alcançamos boas metas de cobertura vacinal. E hoje ela está muito aquém do que a gente desejaria”, acrescentou ela. Caroline palestrou em uma mesa que discutiu a situação da poliomielite no Brasil durante a XXIV Jornada Nacional de Imunizações (SBIm 2022), evento que aconteceu neste sábado, 10, no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista.

 

Brasil entre os mais vulneráveis

A poliomielite, que causa paralisia infantil e pode ser fatal, chegou a ser uma das doenças mais temidas no mundo. Mas, com a vacinação, o Brasil deixou de apresentar casos da doença desde 1989, tendo recebido, em 1994, um certificado de eliminação da doença. No entanto, com a baixa cobertura vacinal e problemas relacionados à vigilância epidemiológica e condições sociais, o Brasil voltou a figurar como um país de grande potencial para a volta da doença.

“Em uma avaliação de risco feita nas Américas e no Caribe pela Opas [Organização Pan-Americana de Saúde], considerando variáveis como cobertura vacinal, vigilância epidemiológica e outros determinantes de saúde, o Brasil aparece em segundo lugar, como de altíssimo risco para a reintrodução da pólio, só antecedido pelo Haiti”, disse a infectologista Luiza Helena Falleiros Arlant, que também participou da mesa, mas à distância. Luiza Helena integra o Núcleo Assessor Permanente da Sociedade Latinoamericana de Infectologia Pediátrica (Slipe).

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