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Evento em Maringá é classificado preliminarmente de tornado de categoria F2

Por Cristiano Monteiro Martinez
3 de novembro de 2026
Coletiva de imprensa na noite dest terça-feira, 3, envolveu um técnico do Simepar (Crédito: Cristiano Martinez)

Coletiva de imprensa na noite dest terça-feira, 3, envolveu um técnico do Simepar (Crédito: Cristiano Martinez)

A forte tempestade que atingiu Maringá na madrugada desta segunda-feira, 2 novembro, é na verdade, em avaliação preliminar, um tornado de categoria F2. É o que apontam os técnicos do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) que foram a campo nesta terça, 3, para avaliar o fenômeno na Cidade Canção.

Em entrevista coletiva na noite de hoje, o meteorologista do Simepar Marco Jusevicius informou que a equipe fez a coleta específica das informações e do impacto causado pela tempestade em Maringá. Esse trabalho envolveu visitas aos principais locais do impacto e sobrevoo de helicóptero, graças ao apoio do Corpo de Bombeiros; além do registro com drones para ter o maior detalhe efetivo do ponto de vista aéreo.

Assim, na análise preliminar, que ainda carece de estudos para refinar detalhes, a conclusão é de que se trata de um tornado. “Confrontando dados, informações, evidências e indícios, chegamos à conclusão preliminar de que houve um tornado de categoria F2. É a primeira classificação, que pode ser reclassificado conforme novas evidências ou outros indícios apurados”, diz Jusevicius, citando que isso se deu em função principalmente do tipo de estragos observados em determinadas construções, típicas. E também o Parque do Ingá, cujo levantamento feito por drones possibilitou identificar os indícios disso.

Desse modo, juntando essas informações com aquelas que o Simepar já tinha, chegou-se à conclusão do tornado. “Do nosso ponto de vista, como Simepar, esse evento está classificado como um tornado de categoria F2”, resume o meteorologista. “A escala Fujita relaciona os impactos observados à estimativa da velocidade dos ventos. Na categoria F2, os ventos ficam entre 180 e 250 km/h. Essa é uma classificação preliminar, que ainda poderá ser revisada conforme o avanço das investigações”.

O meteorologista lembrou que, em 2021, ocorreu um fenômeno similar na região Norte de Maringá. Mas era uma tempestade de outra característica, um “downburst”. “É uma rajada de vento que desce da nuvem e bate no chão, espalhando para frente”. Ou seja, tem uma característica de “derrubar” as coisas. Por exemplo, uma linha de árvores estaria caído para um lado. Aliás, este fenômeno foi uma primeira linha de investigação da equipe do Simepar antes de chegar às evidências do momento. Não é apenas o tornado que causa impacto, pois existem outros fenômenos. Cada um tem a sua assinatura. “É o modo como o evento interage com a estrutura, com a árvore, e causa o estrago. É isso que a gente tenta colher no campo”, citando visitas, inspeções aéreas etc.

Por sua vez, no tornado o funil está sugando as coisas para cima. O vento entra forte, se concentra no local do funil e sobe. Isso causa outro tipo de impacto nas árvores, deixando-as bagunçadas, misturadas.

Na Cidade Canção, o traçado do tornado começou na área do aeroporto e da Cocamar, depois atravessou a região central, indo de Sudoeste a Nordeste, e saiu em Sarandi. Nesse trajeto, ocorreram estragos de diferentes magnitudes.

Meteorologista Marco Jusevicius, do Simepar, na coletiva de imprensa (Crédito: Cristiano Martinez

Cenário de danos nas residências
Durante a coletiva, também foi apresentado um novo cenário sobre os danos nas residências. Levantamentos realizados pela assistência social identificaram famílias que não haviam conseguido comunicar a situação por causa da falta de telefone e internet em algumas regiões da cidade. A partir do mapeamento das áreas sem comunicação, equipes farão novas buscas, inclusive com o uso de carros de som, para orientar os moradores sobre os canais de atendimento.

As famílias que perderam as condições de permanecer em suas casas podem entrar em contato pelo telefone (44) 98418-0579 para solicitar atendimento. A Vila Olímpica foi preparada para receber os moradores que precisarem de acolhimento, com capacidade para até 75 pessoas. O espaço conta com camas, banheiros e alimentação disponibilizada pelo Restaurante Popular. “Nossa prioridade é garantir que ninguém fique desassistido e que as pessoas que perderam suas casas tenham um lugar seguro para ficar”, afirma o prefeito Silvio Barros.

O trabalho de recuperação mobiliza cerca de 930 servidores das secretarias de Infraestrutura e de Limpeza Urbana, além de voluntários e equipes do Corpo de Bombeiros. Das 862 árvores contabilizadas, 450 já haviam sido retiradas, enquanto aproximadamente 400 ainda precisavam de remoção. O número pode aumentar conforme novas ocorrências forem identificadas.

Na área de energia elétrica, a Copel informou que restabeleceu o fornecimento nos distritos de Floriano e Iguatemi. Em Maringá, dos 86 mil domicílios que ficaram sem energia no início dos trabalhos, aproximadamente 44 mil já tiveram o serviço normalizado. Cerca de 42 mil unidades consumidoras ainda aguardam o restabelecimento. A expectativa da companhia é concluir a recuperação da rede até sexta-feira, 6.

Imprensa acompanhou a coletiva no quartel do Corpo de Bombeiros (Crédito: Rafael Macri/PMM)

Governador Ratinho Junior
O prefeito Silvio Barros também falou sobre a articulação com os governos estadual e federal para garantir suporte ao município. “Já estamos em contato com o Governo do Estado e com o Governo Federal para organizar o apoio necessário. O governador Ratinho Junior estará em Maringá nesta quarta-feira, 4, para acompanhar a situação e avaliar as demandas da cidade. Também conversei com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, que colocou o governo federal à disposição para auxiliar o município”.

“É fundamental que o trabalho seja organizado e coordenado, para que os voluntários e os recursos disponíveis sejam direcionados conforme as necessidades da cidade”, afirma o comandante do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná em Maringá, coronel Elias de Oliveira.

Voluntários
Quem deseja atuar como voluntário ou disponibilizar equipamentos e maquinários pode fazer o cadastro no programa Pra Somar. As informações serão utilizadas para direcionar as contribuições conforme as demandas identificadas (acesse aqui).

Novas tempestades
O Simepar e a Defesa Civil também acompanham a possibilidade de novas tempestades no oeste e noroeste do Paraná. A previsão indica rajadas de vento próximas de 70 km/h e pancadas de chuva fortes e isoladas, principalmente entre o fim da tarde desta terça-feira e quinta-feira, 5. O monitoramento será mantido para acompanhar a formação e o deslocamento das áreas de instabilidade.

Tags: ChuvaDestaqueMaringáSimepsarTornadoVendaval

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