O cantor, compositor e ganhador do Nobel de Literatura Bob Dylan foi recebido nesta quarta-feira, 4, no Vaticano, pelo Papa Leão XIV, seu conterrâneo, xará e fã.
O líder da igreja católica e a lenda do folk americano, ambos americanos, foram vistos reunidos no escritório do papa, no suntuoso Palácio Apostólico, em fotos compartilhadas pelo jornal do Vaticano nas redes sociais.
Leão XIV, de 71 anos, vestia sua tradicional batina branca. Dylan, de 85, usava um casaco preto, luvas pretas e um moletom preto com capuz.
O padre Antonio Spadaro, funcionário do Vaticano e jesuíta conhecido por construir relacionamentos entre a Igreja e figuras da indústria do entretenimento, escreveu no Instagram que ajudou a organizar o encontro.
“Era difícil não sentir a emoção de participar de um encontro que tinha um verdadeiro senso de história, com a sensação de que, a cada passo pelo Palácio Apostólico, absolutamente tudo poderia acontecer!”, disse o padre.
O jornal do Vaticano informou que Leão XIV “recebeu em audiência privada o Sr. Robert Allen Zimmerman”, usando o nome de nascimento do cantor. O papa também se chama Robert (Robert Francis Prevost, no caso).
O papa é conhecido por ser fã de Dylan. Ele citou uma canção de protesto antinuclear de 1963 do artista, “Go Away You Bomb”, no prefácio de um livro lançado em julho.
A citação no livro
Os versos citados pelo Papa no livro publicado pela Livraria Editora Vaticana, organizado pelo jornalista Alessandro Banfi, pertencem à composição Go Away You Bomb (Vá embora, bomba), um texto de protesto escrito por Dylan em 1963, no auge das tensões da Guerra Fria.
Trata-se de uma obra peculiar, pois a composição nunca chegou a ser gravada ou publicada oficialmente em seus álbuns musicais. O manuscrito original permaneceu inédito até ser encontrado em 2013.

A apresentação diante de João Paulo II
Não é a primeira vez que o chamado “menestrel do rock”, apelido recebido desde o início de sua carreira, nos anos 1960, encontra um Pontífice.
Em 1997, Dylan foi convidado a se apresentar, ao lado de outros artistas, durante o XXIII Congresso Eucarístico Nacional, em Bolonha, diante do Papa João Paulo II e de uma multidão de aproximadamente 300 mil jovens.
Uma imagem permanece na memória coletiva: depois de interpretar três de seus grandes clássicos, entre eles Knockin’ on Heaven’s Door, o cantor tirou o chapéu de caubói, subiu os degraus do palco papal e trocou um aperto de mão e algumas palavras com Karol Wojtyła.
Na ocasião, durante seu discurso aos jovens, João Paulo II citou explicitamente um trecho da canção Blowin’ in the Wind: “Tu me perguntas: quantas estradas um homem deve percorrer antes que possa ser chamado de homem?”.
O Papa polonês respondeu à pergunta com uma afirmação direta: “Uma só. Existe apenas um caminho para o homem, e esse caminho é Jesus Cristo”.
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