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Morre Brigitte Bardot, estrela do cinema mundial, símbolo de uma era

Por Luiz de Carvalho
28 de dezembro de 2025
Morre Brigitte Bardot, símbolo de uma era do cinema mundial

Brigitte Bardot em 'O Desprezo' (1963), de Jean-Luc Godard Foto: Reprodução

A atriz francesa Brigitte Bardot, ícone do cinema que deixou a carreira no auge para ser ativista dos direitos dos animais, morreu neste domingo, 28, aos 91 anos.

A informação foi confirmada pela Fundação Brigitte Bardot, que era presidida pela atriz. A causa da morte não foi divulgada.

Ainda muito jovem, Britte Bardot se tornou uma das figuras mais reconhecidas do cinema mundial. Seu papel em “E Deus Criou a Mulher” (1956), dirigido por seu então marido Roger Vadim, a consagrou como um símbolo de sensualidade e liberdade que ajudou a moldar a cultura pop da década de 1960.

No longa-metragem, a atriz dança mambo descalça e com o cabelo solto sobre uma mesa, com a saia aberta até a cintura, cena que provocou escândalo na época.

Ao longo de sua carreira, Bardot estrelou cerca de 50 filmes e também teve atuação como cantora e modelo, tornando-se uma das artistas mais fotografadas e comentadas de sua geração.

Nos anos 1960, consolidou seu prestígio artístico com atuações em dois clássicos: “A Verdade” (1960), de Henri-Georges Clouzot, e “O Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard.

Também participou de produções como “Viva Maria!” (1965), de Louis Malle, ao lado de Jeanne Moreau, “O Repouso do Guerreiro” (1964), novamente com Vadim, e “As Petroleiras” (1971), em que contracenou com Claudia Cardinale.

Bardot nasceu em uma família rica e teve uma formação artística precoce. Aos 13 anos, iniciou os estudos de balé clássico e, aos 15, passou a trabalhar como modelo — trajetória que abriu caminho para sua entrada no cinema.

Desde cedo, ela chamou atenção por desafiar convenções sociais: apareceu de biquíni no Festival de Cannes em 1953 e, anos depois, provocou ao comparecer ao Palácio do Eliseu usando calças, em um período em que mulheres eram esperadas em saias ou vestidos em eventos oficiais.

A atriz teve quatro maridos: Roger Vadim, Jacques Charrier, o milionário Gunter Sachs e o industrial Bernard d’Ormale, seu companheiro até os últimos dias.

Ela também se envolveu com atores como Jean-Louis Trintignant e Sami Frey; músicos como Gilbert Bécaud, Serge Gainsbourg e Sacha Distel.

Essa sucessão de relacionamentos, vivida sem discrição e sem pedido de desculpas, contribuiu para que Bardot fosse vista como símbolo de autonomia feminina em plena revolução sexual.

A pensadora feminista Simone de Beauvoir resumiu o incômodo que ela provocava: “Ela faz o que lhe agrada, e é isso que perturba”.

Em 1967, Bardot iniciou uma carreira paralela como cantora, com relativo sucesso. Em parceria com Serge Gainsbourg, gravou músicas que se tornaram populares na França, como “Harley Davidson” e “Bonnie and Clyde”.

 

Bardot deixa o set, mas continua em cena

Bardot se afastou das telas ainda em 1973, aos 38 anos, para dedicar sua vida à causa animal. Fundou a Fundação Brigitte Bardot, que passou a ser referência internacional na luta contra a crueldade e exploração de animais, mobilizando recursos e campanhas em diversos países.

“Tenho muito orgulho da primeira parte da minha vida, que foi um sucesso e que agora me permite ter uma fama mundial, que me ajuda muito na proteção dos animais”, declarou a artista, em 2024, à agência de notícias France Presse.

Morre Brigitte Bardot, atriz que quebrou tabus e ajudou a mudar a cultura de uma época
Brigitte Bardot é fotografada no set do filme “Se Don Juan Fosse Mulher”, dirigido por Roger Vadim, em Estocolmo, em 4 de agosto de 1972 — Foto: AFP

 

Ao ser questionada em outra ocasião sobre que atriz poderia interpretá-la em um filme, foi direta: “Nenhuma. Não há uma capaz de fazê-lo”. E acrescentou: “O que falta? Minha personalidade”.

Vida pessoal sob os holofotes

Sua vida pessoal foi intensamente acompanhada pela imprensa e se tornou parte central de sua imagem pública.

Perseguida por centenas de fotógrafos, Bardot perdeu a totalmente a sua privacidade, inclusive durante o parto de seu filho, em 1960.

“A histeria que me cercava era uma loucura. A sala de parto instalada na minha casa, os fotógrafos atrás das janelas, os que se disfarçavam de médicos”, contou anos depois.
“Associei o nascimento do meu filho a esse trauma”, confessou, ao falar sobre a relação com seu único filho, Nicolas, criado pelo pai, o ator Jacques Charrier.

 

“Feminismo não é a minha praia; eu gosto de homens.”

Declarações públicas de Bardot sobre imigração, islamismo e homossexualidade a levaram a uma série de condenações por incitação ao ódio racial.

Entre 1997 e 2008, ela foi multada seis vezes pela Justiça francesa por causa de seus comentários, especialmente os dirigidos à comunidade muçulmana da França, destacou a agência de notícias Reuters.

Em um dos casos, um tribunal de Paris a condenou a pagar uma multa de 15 mil euros por descrever os muçulmanos como “essa população que está nos destruindo, destruindo o nosso país ao impor seus costumes”.

Em 1992, ela se casou com Bernard d’Ormale, ex-conselheiro da legenda de extrema direita Frente Nacional, e mais tarde passou a apoiar publicamente os sucessivos líderes do partido, Jean-Marie Le Pen e sua filha, Marine Le Pen. Bardot chamou esta última de “a Joana d’Arc do século 21”.

Questionada pelo canal francês BFM TV, em maio de 2025, se se considerava um símbolo da revolução sexual, ela respondeu:

“Não, porque antes de mim muitas coisas ousadas já tinham acontecido — não esperaram por mim. O feminismo não é a minha praia; eu gosto de homens.”

 

 

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Tags: DestaqueMorre Brigitte Bardot

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