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Riqueza de 1% acumulada em dez anos acabaria com a pobreza por 22 anos

Por Redação 2 O Maringá
26 de dezembro de 2025

Um relatório divulgado nesta quinta-feira (26) pela Oxfam Internacional concluiu que a riqueza acumulada desde 2015 por 1% dos mais ricos do mundo permitiria erradicar a pobreza nos próximos 22 anos.

No documento Do lucro privado ao poder público: financiar o desenvolvimento, não a oligarquia, a organização não governamental denunciou que a riqueza dos 1% mais ricos aumentou US$ 33,9 bilhões (cerca de € 29 bilhões) em termos reais desde 2015, quando foram acordados os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

O montante seria o suficiente para acabar com a pobreza anual 22 vezes, denunciou a Oxfam, no relatório publicado no âmbito da preparação da Conferência Internacional sobre o Financiamento do Desenvolvimento, que ocorre na próxima semana em Sevilha, no Sul de Espanha.

Esta nova análise revelou um “aumento astronômico” na riqueza privada entre 1995 e 2023, com um crescimento de US$ 342 bilhões (€ 296,4 bilhões), oito vezes maior que o aumento da riqueza pública.

O documento acusa os governos ricos de promoverem os maiores cortes na ajuda ao desenvolvimento, “algo essencial para a sobrevivência”, desde que os registros de ajuda começaram em 1960.

“A riqueza de apenas três mil multimilionários aumentou US$ 6,5 bilhões (€ 5,63 bilhões) em termos reais desde 2015 e representa agora o equivalente a 14,6% do PIB mundial”, afirmou a ONG.

A análise argumentou ainda que só os países do G7 (grupo dos sete países mais desenvolvidos do mundo), que representam cerca de três quartos de toda a ajuda oficial, estão reduzindo este apoio financeiro em 28% até 2026, em comparação com 2024.

Ao mesmo tempo, a crise da dívida “está levando à falência os países pobres, que estão pagando muito mais aos seus credores ricos do que podem gastar em salas de aula ou hospitais”.

O relatório também examina o papel dos credores privados, que “representam mais de metade da dívida dos países de baixo e médio rendimento, exacerbando a crise da dívida com a sua recusa em negociar e as suas condições punitivas”.

Propostas 

A Oxfam apelou aos governos para que subscrevam as propostas políticas “que propõem uma mudança radical, combatendo a desigualdade extrema e transformando o sistema de financiamento do desenvolvimento”.

Estas propostas incluem o desenvolvimento de novas parcerias estratégicas contra a desigualdade, a rejeição do financiamento privado como uma “solução milagrosa” para o desenvolvimento, a tributação dos super-ricos e a reforma da arquitetura da dívida, bem como a revitalização da ajuda.

O levantamento foi elaborado pela empresa de estudos de mercado Dynata, entre maio e junho, no Brasil, Canadá, França, Alemanha, Quênia, Itália, Índia, México, Filipinas, África do Sul, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Em conjunto, estes países representam cerca de metade da população mundial, segundo a Oxfam. 

Crédito arquivo Nacional EBC

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Tags: acabariaacumuladaanosdezPobrezaporRiqueza

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