O aumento dos casos de abandono e maus-tratos de animais, a intensificação dos eventos climáticos extremos, o crescimento dos conflitos entre seres humanos e fauna silvestre e a necessidade de fortalecer políticas públicas de proteção animal motivaram representantes de instituições, organizações não governamentais, associações e especialistas da causa animal a elaborar a Agenda Animalista – Eleições 2026.
O documento será apresentado aos pré-candidatos ao Governo do Estado como uma contribuição técnica para a construção dos programas de governo, reunindo propostas voltadas à modernização da gestão pública, ao fortalecimento institucional e à integração entre Estado, consórcios, municípios, universidades e sociedade civil.
A iniciativa parte do entendimento de que a proteção animal deixou de ser uma pauta restrita ao bem-estar dos animais e passou a ocupar posição estratégica nas discussões sobre saúde pública, conservação da biodiversidade, segurança, planejamento urbano e desenvolvimento sustentável.
“A sociedade já compreende que falar de proteção animal é falar também de qualidade de vida, prevenção de doenças, preservação ambiental e gestão pública eficiente. O Paraná reúne todas as condições para se tornar referência nacional nessa área, desde que essas políticas sejam estruturadas de forma permanente”, afirmam os representantes do movimento.
Agenda organizada em dois grandes eixos
O primeiro reúne propostas para a fauna silvestre, contemplando nove áreas estratégicas, entre elas a criação de um Sistema Estadual de Gestão da Fauna Silvestre, fortalecimento do Instituto Água e Terra (IAT), ampliação da estrutura de atendimento aos animais, uso de tecnologias para monitoramento da biodiversidade, combate ao tráfico de fauna, integração com universidades e preparação para eventos climáticos extremos.
O segundo eixo é dedicado à fauna doméstica e propõe a criação de um Sistema Estadual de Proteção Animal, baseado em um marco legal moderno, fortalecimento da estrutura administrativa do Estado, ampliação das políticas de castração e identificação animal, combate aos maus-tratos, regionalização dos serviços por meio dos consórcios municipais e financiamento permanente das ações.
Entre as propostas também estão a implantação de hospitais veterinários regionais, programas de guarda responsável, fortalecimento da perícia veterinária, integração das forças de segurança e criação de protocolos específicos para atendimento de animais em situações de enchentes, incêndios e outros desastres.
Segundo os organizadores, a Agenda foi construída de forma colaborativa por representantes da sociedade civil organizada e busca oferecer soluções viáveis para desafios que impactam diretamente a população e os municípios. “O desafio do Paraná é sair do modelo fragmentado, emergencial e voluntarista para um sistema estadual integrado em manejo de animais silvetres e domésticos”, explica Márcia Santin, voluntária da causa animal que representa as instituições da região de Maringá.
A expectativa é que o documento contribua para ampliar o espaço da proteção animal no debate eleitoral de 2026 e estimule a incorporação de políticas públicas permanentes capazes de promover o bem-estar animal, fortalecer a conservação da biodiversidade e consolidar o conceito de Saúde Única (One Health) como diretriz para o desenvolvimento sustentável do Paraná.
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