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Musica e Diversão

Por André Drago
8 de maio de 2026
Mamonas Assasinas, trabalho e diversão

Mamonas Assasinas, trabalho e diversão

Semana passada eu falei a respeito daquele tipo de músico que não se interessa pela teoria, não se interessa em se aprofundar, ou às vezes até rechaça o estudo da teoria, rechaça o estudo da técnica, mas quer trabalhar com música profissionalmente ou então alcançar resultados profissionais. Só que ele confia apenas no que aprendeu mecanicamente — situações que funcionam em contextos muito específicos, baseadas em movimentos repetitivos que não demonstram compreensão musical de fato. Demonstram apenas um domínio mecânico, como quem decora a resposta sem entender a pergunta.

E, nesse contexto profissional, isso é um aspecto limitante, principalmente no trabalho em equipe. Porque música, no mundo real, raramente é um ato isolado. Ela exige diálogo, adaptação, escuta e leitura de contexto — e isso não se sustenta só com memória muscular.

Mas hoje eu quero falar de outro lado da música, que é o lado da diversão — o motivo pelo qual todo mundo começou.

E aí eu recorro de novo àquele diálogo que ainda vai aparecer outras vezes aqui na coluna: o diálogo entre Aloysius e Josephus, o mestre e o aluno descritos no livro Gradus ad Parnassum, do J. J. Fux.

Em determinado momento, o mestre pergunta ao aluno se ele já era apaixonado pelas consonâncias musicais antes mesmo de entender o que estava acontecendo. Se quando era criança, antes de qualquer noção teórica, ele já era apaixonado pelas notas, pelo som em si, pelo simples fato de ouvir coisas soando juntas.

E é disso que eu estou falando.

Dessa paixão pelas notas soando juntas. Dessa brincadeira gostosa de tocar junto, de tentar tocar no mesmo tempo, mesmo que um esteja errando ou o outro não saiba muito bem a música. Ainda assim, a gente continua, improvisa, se adapta, ri, erra, acerta e segue tocando.

Isso é a diversão da música.

Esse momento de descontração não é um detalhe — ele é parte essencial. É o outro lado da moeda, não como oposição, mas como complemento. São duas manifestações da mesma essência, do mesmo fenômeno que é a música.

Eu vejo como se existissem dois planos.

Um plano mais terreno, mais material. Nesse plano, quem escolhe viver de música, pagar as contas com música, precisa desenvolver proficiência, construir o que o Fux chama de “bom nome” e trabalhar com seriedade, foco e consistência. Não tem muito espaço para romantização aqui.

Inclusive porque, sendo direto, a gente não faz isso somente pelo dinheiro.

Se você pensar em alguém que ganha um bilhão de reais na Mega-Sena, se essa pessoa não tiver um objetivo além do material, a vida perde direção.

Então a música entra também como esse vetor de sentido. Ela sustenta tanto o plano material quanto algo além dele.

Mas, ainda nesse plano, mesmo quando a gente fala de técnica, de estudo aprofundado — coisas que parecem intelectuais — tudo isso é material, porque está direcionado para um resultado concreto. Para trabalho, para entrega, para funcionamento no mundo real.

Estudar profundamente não é luxo filosófico, é ferramenta de trabalho.

É um ato mental orientado para o material.

Agora, quando a gente tira essa pressão do resultado, do dinheiro, da performance, a gente entra em outro nível da música.

Um plano mais pessoal, mais psicológico, mais íntimo, mais relacional.

Esse plano não é mais importante — ele é diferente. Menos condicionado pelas exigências práticas.

É nesse plano que existe a música como diversão, como prazer, como experiência sem pretensão.

E, curiosamente, é exatamente nesse lugar que surgem as ideias mais interessantes.

Não necessariamente prontas, nem organizadas, mas vivas.

As ideias nascem ali. Depois, elas podem ser levadas de volta para o plano material, onde vão ser trabalhadas, estruturadas, lapidadas, até se tornarem algo comunicável.

As ideias surgem nesse estado mais solto e depois são pastoreadas pelo plano material.

Então existe um diálogo constante entre essas duas dimensões.

Entre uma música mais livre, mais interna — que a gente poderia chamar, com todas as limitações desses nomes, de psicológica, energética ou espiritual — e uma música técnica, sólida, construída a partir de um conhecimento que já existe e que a gente precisa acessar, esculpir e se encontrar dentro dele.

Uma não se sustenta bem sem a outra.

Se você fica só na diversão, pode até ter ideias interessantes, mas não consegue desenvolver, comunicar ou sustentar aquilo no mundo.

Se você fica só na técnica, pode executar com precisão, mas corre o risco de perder justamente o impulso que te fez começar.

Então não tem hierarquia.

Quem trabalha com música precisa aprender a transitar entre notas nesses dois lados. Saber quando relaxar e quando focar. Quando brincar e quando lapidar. Quando deixar vir e quando organizar.

É como conviver dentro de uma sinfonia que, em alguns momentos, é dissonante, instável, desconfortável — e, em outros, resolve, encaixa e harmoniza exatamente com o que a gente precisa.

E é esse movimento, esse ritmo entre tensão e resolução, entre liberdade e estrutura, que empurra a gente pra frente.

Que tira da zona de conforto.

Que faz a gente se descobrir, descobrir o outro e descobrir a própria arte no processo.

Tags: André DragoDiversãoEntre NotasMúsica

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