IMPRESSO
Maringá
  • HomeM
  • Maringá
  • Economia
    • Mercado
    • Benefícios
    • Cartões
    • Investimentos
    • Contas Digitais
    • Cripto
  • Região
  • Esportes
  • Finanças
  • Colunas
  • Publicações Legais
Maringá
No Result
View All Result

ShamAngra: Legado do metal brasileiro

Por André Drago
8 de maio de 2026
ShamAngra - Divulgação

ShamAngra - Divulgação

Como uma linhagem artística atravessa pessoas e molda vidas?

Para que eu responda essa pergunta, quero te contar algo a meu respeito: sou baixista e vocalista, apaixonado por heavy metal. Quando eu comecei a buscar música de fato, não haviam muitos recursos para expandir o arcabouço musical de um jovem adolescente de 14 anos. Eram reuniões para ouvir o que os amigos tinham em casa, o que podíamos comprar nas lojas. Às vezes combinávamos um dia para ficar somente perambulando pela loja de CDs do shopping, escutando muitos títulos sem um real no bolso para comprar qualquer disco. Nessa época, lá por 2002, um amigo me mostrou o Angra.

O fato de esses caras serem brasileiros e tocarem melhor do que tudo que eu já havia conhecido chamou atenção imediatamente. A partir daí eu entendi outro nível de composição musical, algo que eu nunca tinha escutado antes, e que me conduziu a lugares emocionais que eu nunca havia acessado.

Na ocasião, para um jovem baixista limitado em técnica, eu somente sonhava com um dia em que assistiria a um show deles, ou quando conseguiria tocar pelo menos alguma passagem das músicas, sozinho no meu quarto. Essa ideia acessou os fundamentos da minha volição. Surgiu um interesse novo: cantar. Pela agressividade concomitante à sofisticação que esta prática proporciona. Ali eu entendi como queria me expressar musicalmente pelo resto da vida: cantando e tocando heavy metal.

Mas o Angra não é somente metal, nem uma idealização distante. É uma banda formada por pessoas reais, conflitos reais e rupturas reais. A história desta banda em específico merece um filme grandioso (fica a dica).

A começar pelo nome, Angra é uma alusão à palavra inglesa anger (raiva, nervoso, irado). Apenas curiosa a conexão desse significado com o histórico de rupturas da banda e como as carreiras dos integrantes seguiram após estes eventos.

Como quando o nome do personagem carrega seu destino, ao estilo das tragédias gregas – por exemplo: Édipo, que significa dois pés (di-podes, bípede), ou pés inchados. Foi pendurado pelos pés quando infante, caminhou a terra a pé, desvendou o enigma da esfinge cuja resposta é o animal que caminha sob dois pés, o Homem.

André Matos: O Elo

André Matos, exímio vocalista, saiu do Angra no ano 2000, junto aos integrantes Luis Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria). Estes integrantes junto ao irmão de Luís, Hugo Mariutti, formaram então o que, na minha opinião, foi o ponto alto do estilo em terras brasileiras até então.

Eis que surge o Shaman. Nome que também merece observação: curioso que esteja tão relacionado à cura. Digo isso devido ao estado em que provavelmente todos ali se sentiam, precisando sanar uma condição emocional que havia se instalado.

Nas entrelinhas da temática ritualística de seu primeiro disco, justamente intitulado Ritual, eu percebo em músicas como Time Will Come, Blind Spell, Here I Am, For Tomorrow e Fairy Tale, um desejo de resgate, uma vontade de melhora, bem como uma lamentação pela queda, uma necessidade de comunicar algo que ablande sentimentos enrijecidos e olhar adiante.

Mesma dinâmica utilizada pelo Angra, quando realizou seu álbum de estreia com nova formação, Rebirth. Todos ali buscavam a mesma sintonia, mesmo que em dimensões diferentes.

Cada ser é um universo.

Dentro do meu universo, o André foi a referência que faltava para construção da minha identidade fundamental, a que terminamos de consolidar logo nos primeiros anos da adolescência. Para uma pessoa como eu, sem figura paterna alguma, os astros do rock fizeram um papel fundamental na maneira como eu me coloco no mundo.

Impossível não se inspirar ao ter contato com a obra desta pessoa iluminada, que infelizmente nos deixou em 2019. Não irei dar conta de expressar a grandiosidade de sua obra neste espaço curto da coluna entre notas. Ainda teremos uma série futura em desenvolvimento a ser publicada aqui a seu respeito. Com todo carinho.

Os Irmãos Mariutti e o ShamAngra

Um dos baixistas mais influentes de todos os tempos, Luis Mariutti, além de ter contribuído com ritmos e harmonias brasileiras nos primeiros álbuns do Angra – marca registrada de músicas como Never Understand, Evil Warning e Carolina IV, e que se tornou parte do estilo da banda por toda a discografia –, fez um excelente trabalho na trajetória musical do Shaman e na carreira solo do André Matos.

Luis é uma excelente pessoa e acompanhou o Maestro até o fim. Conheci ele há 6 anos, poucos meses após a passagem do André, em um workshow aqui em Maringá. Nessa ocasião tive aulas particulares com ele e conversamos bastante a respeito de sua trajetória artística e pessoal. À noite, no show, subi ao palco e cantei a música Nothing to Say (assista o vídeo do dia!). O adolescente em mim saltava de alegria.

Me lembro que nessa época já se brincava com o nome ShamAngra, mas ainda para se referir ao universo que inclui todas as obras e personalidades que fizeram parte destes grupos, conectados por nomes como o de André e Luis (integrantes da formação original).

Anos mais tarde, quando meu estúdio inteirou 10 anos, eu organizei um evento em comemoração. Neste evento, as atrações principais foram Luis e Hugo Mariutti. Irmãos, baixista e guitarrista, integrantes do Shaman. Neste evento histórico para minha trajetória, escolhemos realizar um tributo ao álbum RituAlive, que completava 20 anos de lançamento.

Ali sim estava consumada a realização de um sonho antigo.

Eu finalmente estava ali cantando meu álbum favorito com meus músicos favoritos. Sou muito grato por haver tido essa oportunidade.

Já nessa época, o que havia começado como uma brincadeira entre fãs se tornou o nome oficial de um projeto liderado pelo Mariutti Team. O ShamAngra pegou a estrada e fez alguns shows icônicos com outros músicos do “Angraverso” — a esta altura já sabemos que “ShamAngraverso” seria um neologismo muito mais adequado.

Esta fase teve seu fim em um hiato iniciado em 2024. A suspensão das atividades do ShamAngra, ainda bem, durou pouco, pois voltaram com tudo este ano, com uma formação nova, energia pungente e pessoas com muita vontade de trabalhar e fazer acontecer.

Nas palavras que se encontram no site oficial do projeto, vemos esse gás:

“O projeto liderado pelo baixista Luis Mariutti, membro das formações originais do Angra e Shaman, retorna aos palcos para celebrar sua carreira e paixão pelo metal nacional. O nome, ShamAngra, que começou como uma brincadeira entre fãs, agora representa um verdadeiro movimento de resgate a uma trajetória construída ao longo de décadas.

Após o anúncio do encerramento das atividades no final de 2024, o retorno do ShamAngra marca uma virada simbólica. Mais do que um reencontro, trata-se de um recomeço, fruto do amor à arte e da vontade coletiva de manter viva uma memória que ainda pulsa com força nos corações dos fãs. Como define Luis Mariutti:

“Os fãs nunca deixaram de pedir as músicas da minha época no Angra e no Shaman, e eu continuei tocando. Então, por que não com o ShamAngra? Reunimos artistas incríveis, esse é um projeto que merece uma segunda chance.”

A formação do ShamAngra reúne músicos experientes e jovens talentos: Luis Mariutti no baixo, Hugo Mariutti na guitarra, Helena Nagagata na guitarra, Hanna Paulino nos vocais e Alessandro Kelvin na bateria. A proposta artística é intensa e emocional, revisitando clássicos de álbuns icônicos.” – site oficial ShamAngra

Deu pra perceber que estamos falando de gente grande na música. Shaman e Angra alcançaram uma projeção internacional rara para bandas brasileiras. São verdadeiras lendas da nossa história musical recente.

O Show em Maringá

E vamos ter a oportunidade de apreciar este repertório e prestigiar estes músicos em nossa cidade novamente neste final de semana.

Enquanto escrevo, eles se preparam para realizar a etapa paranaense de sua turnê nacional. Neste domingo, dia 10 de maio de 2026, iremos recebê-los no Porão Bar, uma das casas de shows mais tradicionais da cidade. O início do evento está previsto para as 19h.

Mais uma vez terei a honra de cantar um pouco ao lado dos meus ídolos da música. Será uma grata oportunidade. Ainda mais se pudermos nos encontrar lá também. Escrevi uma coluna especial a respeito da música que irei cantar nesta participação, fica o convite ao show e à leitura.

ShamAngra é um exemplo de como a força de um legado multiplica os frutos da arte.

É tão bom quando há a oportunidade de termos nossas principais referências musicais tão presentes a nos lembrar dos pilares da nossa criação musical. Quantas pessoas, assim como eu, se inspiraram a iniciar sua busca na senda artística devido à coragem daqueles que viveram o apogeu do heavy metal nacional.

As composições do “ShamAngraverso” continuarão para sempre reverberando no imaginário do músico que vive a realidade artística tupiniquim, provando que o esforço nunca volta sem resultado.

Heróis de uma geração

Luis, Hugo e Fernanda Mariutti, na companhia de sua equipe e apoiadores, estão sustentando um território merecido por figuras atemporais na música brasileira, mostrando às novas gerações como se preserva e expande vínculo humano através da arte.

Simplificando: estão mostrando a importância de responder a algumas perguntas interessantes: quem é o ser sensível que estava ali quando esta música foi feita? Como a música boa e com a pretensão honesta pode curar a raiva? Essa é uma nobre tarefa.

Teremos resposta a estas e mais perguntas muito em breve, pois vamos poder ter contato com estes seres. Nos vemos no show do ShamAngra!

Tags: André Dragoandre matosfernanda mariuttihugo mariuttiluis mariuttiMaringáshamangra

IMPRESSO

Outros Posts

Diana Damrau - intérprete icônica da Rainha da Noite na ópera A Flauta Mágica
"Entre Notas"

The Queen of the Night – De Mozart a Angra

8 de maio de 2026
Beethoven, o mestre das variações
"Entre Notas"

Como eu componho uma música?

8 de maio de 2026
O Grito - Edvard Munch
"Entre Notas"

Como compor uma música?

8 de maio de 2026
O flautista de Hamelin - Ilustração de Kate Greenaway - Crianças seguem a música, encantadas.
"Entre Notas"

O Dia em que Aprendi a Aprender

8 de maio de 2026
Mamonas Assasinas, trabalho e diversão
"Entre Notas"

Musica e Diversão

8 de maio de 2026
A Parábola dos Cegos (1568) - Pieter Bruegel, o Velho
"Entre Notas"

Metacognição e Honestidade Epistêmica em Música

20 de março de 2026
  • Impresso
  • Fale Conosco
  • Política de Privacidade
  • Publicações Legais
  • Quem Somos

Editora Dia a Dia – O Maringá

CNPJ: 31.722.654/0001-52
ENDEREÇO: Estácio de Sá, 1251,
Zona 2 CEP: 87005-120
(44) 3305-5461

© 2026 O Maringá - O Jornal a serviço de Maringá e região.

No Result
View All Result
  • Home
  • Maringá
  • Economia
  • Colunas
  • Jornal Impresso
  • Mercado
  • Cartões
  • Cripto
  • Investimentos
  • Contas Digitais
  • Finanças
  • Benefícios
  • Outros
    • Publicações Legais
    • Fale Conosco
    • Quem Somos

© 2026 O Maringá - Todos Os Direitos Reservados.

Esse website utiliza cookies. Ao continuar a utilizar este website está a dar consentimento à utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.