Acostumado com orquestras de dimensão maior, o público maringaense poderá apreciar a partir deste mês de abril da música de câmara com um novo projeto criado pela Fundação LuzAmor, que é famosa pelo prédio icônico às margens do Parque do Ingá e principalmente pelo trabalho musical.
Trata-se da Camerata LuzAmor, cujo regente titular é o maestro Davi Oliveira. Durante mais de 20 anos, ele ficou associado à Orquestra Filarmônica UniCesumar (Ofuc). Mas agora, Oliveira está à frente da Camerata, ensaiando semanalmente com seu grupo de músicos profissionais, em preparação à estreia, próximo dia 29 de abril, às 20h.
O repertório dessa primeira apresentação é formado por obras de Johannes Brahms, Antonio Vivaldi, George Frederic Handel e Wolfgang Amadeus Mozart. Aliás, a música camerística possibilita um set list extenso, com muita variação de horizontes. Mas limitado em termos de sonoridade, explica o maestro. Por exemplo, não tem o som explosivo de uma orquestra filarmônica ou sinfônica, que costuma ter 70 músicos e as três grandes famílias.
“A camerata tem a concentração nas cordas. Vez por outra, vai aparecer um instrumento de sopro, dependendo do compositor. Em geral, são cordas: três, quatro componentes de cada naipe. É uma sonoridade bem reduzida, muito menor. Mas de uma beleza infinita”, diz, em entrevista à reportagem, antes de começar um dos ensaios no auditório do LuzAmor, com pouco mais de 400 lugares, que tem o tamanho ideal para esse tipo de formato na música clássica. “Vai soar muito bem”, completa.
O projeto conta com 14 músicos e o regente, que indicou profissionais reconhecidos pela qualidade musical em Maringá. Todos foram aprovados pela diretoria da Fundação. “A gente está com um time jovem. Um ou outro músico mais experiente, mais maduro, como eu. Eu escolhi a dedo e estamos trabalhando”, explica Oliveira.
Uma das integrantes é a violinista Miriel Pagani, de 22 anos, que é Spalla. Recém-formada em Música na Universidade Estadual de Maringá (UEM), ela já havia trabalhado com o maestro Davi. “Fico muito animada em ter uma nova orquestra na cidade e espero que esse projeto cresça muito”, diz a instrumentista, detalhando que conhecia a maioria dos integrantes do novo projeto.
Os ensaios vêm sendo feitos há um mês, sempre às quinta-feiras, no período noturno. A ideia é fazer concertos mensais, na última quinta. Somente a estreia vai quebrar esse padrão, pois o debute será numa quarta, dia 29 de abril. A programação da Camerata já está definida até o final de 2026, com as mais belas valsas para o segundo concerto. Além desse formato, haverá outros projetos.

Cenário da música clássica em Maringá
Em Maringá desde 2003, Davi Oliveira avalia que hoje a cidade conta com uma qualidade incrível de músicos formados no meio clássico. Isso se deve à soma de forças ao longo desse tempo: o grande investimento da UniCesumar para a formação de um conjunto orquestral, afinal foram 22 anos de Ofuc; e o trabalho em paralelo do Sesc, da Fundação LuzAmor e da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
“A gente monta hoje qualquer obra sinfônica convocando os músicos”, afirma o maestro. Agora, manter as orquestras varia de cada instituição, pois o custo de investimento e manutenção costuma ser alto. “Quanto maior a orquestra, maior é o investimento. Tanto no palco quanto externo, por conta dos bastidores de uma orquestra”.

Convite do LuzAmor
Após o encerramento da Ofuc em 2025, o maestro Davi Oliveira recebeu um convite para ir a Portugal, no Conservatório do Centro de Leiria. Mas um tornado de mais de 200 km/h arrasou com a região e deixou mais de 60 cidades em estado de calamidade. Nesse cenário, Oliveira não pôde ficar na Europa e retornou ao Brasil, ainda sem convite de trabalho em orquestras. Havia apenas uma possibilidade em Curitiba (PR), porém inviável naquele momento.
Então, veio a proposta da Fundação LuzAmor para montar a Camerata. “Fiquei muito feliz, foi interessantíssimo. O convite veio na hora certíssima”, diz o maestro. “Uma instituição dessas como o LuzAmor é maravilhoso”.

Programa da estreia
- Johannes BRAHMS: Dança Húngara N.5
- Antonio VIVALDI: Concerto N.4, RV 151, Op. 51, “Sinfonia Alla Rustica”
- Presto
- Adagio
- Allegro
- Gustav HOLST: Da Suíte “Os Planetas” Jupiter, Op. 32
- George Frederic HANDEL: Ombra Mai Fu, “Largo Xerxes”
- George Frederic HANDEL: Da Suíte “Música Aquática”
- III Aria
- IV Rigaudon
- Wolfgang Amadeus MOZART: Pequena Serenata Noturna, KV 525
- Allegro
- Romance
- Minuetto
- Rondo / Allegro

Composição da Camerata LuzAmor
- Violinos I
Miriel Pagani (Spalla)
Pablo Henry
Elizier Beluzzo
Maria Beatriz Silva - Violinos II
Semaias Reis
César Augusto Rosa
Marlon Oliveira
Mary Hilary Moreira - Violas
Rafael Graboski
Igor Camargo
Joaquim Martins - Violoncelos
Lucas Muhammad
Matheus Fernandes - Contrabaixo
Douglas Henrique Lemes

Serviço
Camerata LuzAmor apresenta seu Concerto de Inauguração
29 de abril (quarta-feira)
Às 20h
Regência de Davi Oliveira
Fundação LuzAmor – Rua Néo Alves Martins, 1.704 (às margens do Parque do Ingá)
Ingressos à venda na Secretaria da Fundação
VIP – R$ 60
Setor A – R$ 40
Para mais informações, entre em contato pelo perfil @fundacaoluzamoroficial no Instagram









