O mês de março, conhecido como Mês da Mulher, tem programação especial com o projeto Sesc Mulheres, que coloca em pauta o protagonismo feminino no campo das artes e da cultura.
A programação ocorre nas unidades Sesc da Esquina (Curitiba); Sesc Foz do Iguaçu; Sesc Londrina Cadeião; Sesc Paço da Liberdade (Curitiba); Sesc Maringá; e Sesc Pato Branco.
Assim, a unidade maringaense (Av. Duque de Caxias, 1.517 – Zona 7) receberá nomes como Carla Akotirene, Carla Kinzo, Julia Raiz, Carolina Damião, Ana Paula da Silva, entre outros.
Toda a programação é gratuita, mas atenção: para as oficinas e clube de leitura é necessário inscrição prévia; para bate-papos, palestras, sessões de cinema, espetáculos e shows o público é convidado a trazer um material escolar novo ou em bom estado para doação na 8ª Campanha do Material Escolar.
Nesta quinta-feira, 5, ocorrerá o bate-papo “O feminismo negro e o direito ao afeto”, com Carla Akotirene, das 19h às 21h. Mediação da conversa de Anire Niara e classificação livre. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes da apresentação.
Atualmente, embora mulheres negras sejam maioria entre as chefes de família, isto não se reflete entre mulheres casadas. A solidão da mulher negra é estrutural e resultado de séculos de desumanização. Nesta conversa com a pesquisadora Carla Akotirene, pode-se refletir, sob perspectiva da afetividade, como o amor e o afeto ainda são negados como experiência e como, para mulheres negras, amarem e serem amadas torna-se um ato de transgressão e resistência.
Akotirene é militante acadêmica antirracista que concentra estudos sobre extermínio de jovens negros, prisionizacão e racismo institucional. É doutora em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e publicou os livros “O que é interseccionalidade?” e “Ó Paí Prezada!” e “É fragrante fojado dôtor vossa excelência”. Atualmente coordena a Opará Saberes, curso de extensão da UFBA voltado à capacitação de candidaturas negras na pós-graduação em universidades públicas. É seguida por quase 500 mil pessoas nas redes sociais.

Oficinas
Na sexta-feira, 6, das 9h às 12h, haverá a oficina “Vozes Indizíveis – personagens femininas, tragédia e reinvenção”, com Carla Kinzo, que é escritora, dramaturga e atriz. É formada em Cinema e mestre e doutora em Letras pela FFLCH/USP, pós-doutoranda em Teoria Literária na Unicamp. É com entrada gratuita e classificação 16 anos. As inscrições devem ser feitas via site.
Neste encontro, exploram-se as personagens femininas que desafiam normas sociais e culturais, lidando com experiências de marginalização e desajuste. Entre teoria, leitura e práticas, serão debatidas as formas como Anne Carson, Aoko Mastuda, Irene Solà, Nara Vidal e outras escritoras apresentam o corpo feminino em situação de ruptura, além do papel da literatura como resistência.
Outra oficina será em 11 de março, das 14h às 15h: “Vozes em criação: compondo juntas”, com a orientadora do Centro de Difusão Musical (CDM) Larissa Dias. Classificação 12 anos. São 20 vagas gratuitas. Inscrições: AQUI
É oficina musical com foco na criação coletiva de uma composição autoral. A proposta estimula a escuta, a expressão de ideias e sentimentos, o trabalho em grupo e o fortalecimento da voz feminina por meio da música, em um espaço de troca, acolhimento e criatividade, em comemoração ao Dia da Mulher.
E mais uma atividade em 13 de março, das 14h às 17h: “Chegar ao amor pela sujeira”, com Julia Raiz, dentro da programação do Sesc Mulheres 2026. A oficineira é escritora, tradutora e agitadora cultural, com prática em ações performativas em literatura. Acesso gratuito e classificação livre. Inscrições: AQUI
Trata-se de atividade que propõe uma abordagem performativa para a escrita literária. Por meio de ações e exercícios que exploram a ideia da sujeira (matéria fora do lugar) como disparador, os participantes são convidados a investigar como as experiências amorosas bagunçam a percepção de limites e fronteiras. Partindo de uma “situação amorosa inicial” para desdobrá-la em diferentes textos. Como acompanhamento da prática, a oficina propõe a leitura de, entre outras, Rukmini Bhaya Nair, Anne Carson e Maria Mercè Marçal.
A oficina é destinada para quem deseja investigar o tema, a quem escreve ou quer começar a escrever.

Palestra
No dia 9 de março, às 19h, o Sesc Maringá recebe a palestra “Violência contra a mulher: prevenção, direitos e formas de proteção”, com Patrulha Maria da Penha. Entrada gratuita e classificação 12 anos.
A Patrulha Maria da Penha é uma iniciativa de segurança pública criada para assegurar o cumprimento das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, oferecendo proteção e acompanhamento às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Seu principal objetivo é prevenir a reincidência da violência, por meio de visitas periódicas, orientação às vítimas e fiscalização dos agressores.
Conversa
Em 12 de março, às 14h, haverá o bate-papo e mediação de autoconhecimento e empoderamento feminino por meio da escrita “Escre-viver: um caminho para dentro de si”, com Sol Gil, que é uma liderança feminina regenerativa, entusiasta, escritora e mentora de mulheres. Gratuito, com inscrições prévias. Classificação 18 anos.
A ação é um convite ao autoconhecimento e ao reencontro com a própria essência. Destina-se a mulheres que buscam ferramentas, inspiração e coragem para materializar seus projetos de vida por meio da palavra e da escuta sensível. A partir da escrevivência, em uma condução acolhedora e afetiva, as participantes serão guiadas para dentro de si, reconectando-se com suas potencialidades, memórias e saberes. O percurso convida ao caminho do Bem Viver – Bem pensar, sentir, escreviver, falar e fazer – como prática de expansão de consciência.

Leitura
A programação também terá, em 12 de março, às 19h, o Clube de Leitura Especial: “Macabéa quer conversar: Discussão da obra literária ‘A hora da estrela’, de Clarice Lispector”, sob mediação com a orientadora da Sala de Leitura Nayane de Abreu Schamberlain. Inscrições: AQUI. Classificação: 16 anos.
É encontro dedicado a conversar sobre “A hora da estrela” (1977), de Clarice Lispector. É livro que conta a história da nordestina Macabéa, uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio. Apaixona-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera.
Cinema e teatro
Em 11 de março, às 19h, o Cine Sesc exibe o clássico do cinema nacional “Xica da Silva” (1976), de Carlos Diegues. Classificação 16 anos.
Na segunda metade do século XVIII, a negra escravizada Xica da Silva torna-se o centro das atenções no Distrito Diamantino, onde estão as minas mais ricas do país. João Fernandes, representante da Coroa Portuguesa, apaixona-se por Xica e a transforma na Rainha do Diamante, satisfazendo todos os seus desejos extravagantes. Alertado pelos inimigos do casal, o rei de Portugal manda um emissário a fim de impedir que cresça o poder de Xica na colônia.
Por sua vez, o teatro é com “Não me chame de mãe”, um solo de Carolina Damião com direção de Luciana Navarro. Será em 14 de março, às 19h, com entrada gratuita. Classificação 18 anos.
O público acompanha Elisa, uma mãe solo, que em determinado dia com tempo livre se vê diante da oportunidade de escolher e realizar todas as tarefas que ficaram pendentes, inclusive relaxar.

Música
E no dia 26 de março, às 19h30, o show “Remanso”, com Ana Paula da Silva. Entrada gratuita e classificação 10 anos.
Esse espetáculo musical leva ao palco o repertório do álbum de estreia solo da artista, “Remanso”, oferecendo um show intimista e potente em que cada violão e cada voz revelam a verdade artística de Ana Paula.



