O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul participou do 11º Fórum do Desenvolvimento, promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento, realizado nos dias 1º e 2 de abril em Brasília. O evento reuniu representantes de instituições financeiras públicas, gestores de fundos e especialistas para discutir instrumentos de financiamento, políticas de crédito e estratégias voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável.
Durante o encontro, o diretor administrativo do banco, Heraldo Neves, mediou um painel dedicado aos fundos garantidores e ao papel desses mecanismos na ampliação do acesso ao crédito, especialmente para micro e pequenas empresas.
Fundos garantidores ganham destaque no debate
O painel reuniu representantes de diversas instituições ligadas ao sistema financeiro e às políticas públicas de crédito. Participaram da discussão Michele Azevedo Alencar, gestora do Fundo de Garantia de Operações no Banco do Brasil, Luciano Quinto Lanz, gestor do Fundo Garantidor para Investimentos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, além de Nátany Alves Boldo, diretora da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias.
Também integraram o debate Valdir Oliveira, gerente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, e Maurício Juvenal, secretário nacional do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
As discussões abordaram como os fundos garantidores podem reduzir riscos em operações financeiras e facilitar o acesso de pequenos negócios ao crédito, fortalecendo políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico.
Agenda estratégica para o sistema de fomento
Antes do fórum principal, representantes do BRDE participaram da reunião do Conselho Consultivo do Sistema Nacional de Fomento e da Assembleia de Associados da ABDE. Nessas agendas foram discutidos temas estratégicos como financiamento de longo prazo, governança de fundos públicos e integração de pautas ambientais nas instituições de crédito.
Segundo Heraldo Neves, que também atua como vice presidente da ABDE, esses debates refletem duas tendências centrais para o sistema de fomento no Brasil: ampliar as fontes de financiamento estruturado e incorporar novas agendas, como sustentabilidade e biodiversidade.
Ele destacou que essas pautas estão diretamente relacionadas ao papel das instituições financeiras no desenvolvimento regional e nacional, especialmente na construção de soluções que combinem crescimento econômico e responsabilidade ambiental.
Estudo propõe novo marco regulatório para fundos públicos
Um dos temas que despertou maior interesse entre os participantes foi a apresentação de um estudo sobre o inventário e a governança de fundos públicos no Brasil.
A análise, realizada no âmbito da ABDE, avaliou o funcionamento de diferentes mecanismos financeiros, com atenção especial aos fundos soberanos e constitucionais. A consultoria responsável sugeriu a criação de um marco regulatório capaz de estabelecer regras mais claras sobre governança, transparência, auditoria e avaliação de impacto desses instrumentos.
A proposta busca organizar e harmonizar o conjunto de fundos contábeis e financeiros que atualmente direcionam recursos para projetos de desenvolvimento em diversas áreas da economia.
Segundo Heraldo Neves, a criação de um marco regulatório mais robusto poderia fortalecer institucionalmente esses mecanismos e dar maior estabilidade ao sistema de financiamento público.
Conexão com políticas estaduais de investimento
O debate também dialoga com iniciativas recentes adotadas em nível estadual. Um exemplo citado durante o fórum foi a regulamentação do Fundo Estratégico do Paraná, formalizada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior.
O fundo foi criado com o objetivo de ampliar a autonomia fiscal do estado e apoiar projetos estratégicos de longo prazo, funcionando como instrumento para financiar investimentos públicos estruturantes.
Observatório do crédito direcionado
Outro anúncio relevante apresentado durante o evento foi a criação do Observatório do Crédito Direcionado, uma plataforma que reunirá dados sobre desempenho, impacto econômico e alcance social das políticas de crédito orientadas por programas governamentais.
A ferramenta deverá consolidar informações sobre carteiras de crédito e indicadores de financiamento público, auxiliando gestores e formuladores de políticas na tomada de decisões baseadas em evidências.
Biodiversidade entra na agenda do sistema financeiro
Durante a assembleia da ABDE, o BRDE também apresentou sua experiência na Coalizão LIFE de Negócios e Biodiversidade, iniciativa coordenada pelo Instituto LIFE que reúne empresas e instituições comprometidas com a integração da conservação ambiental às estratégias de desenvolvimento econômico.
Segundo Heraldo Neves, iniciativas desse tipo demonstram que a pauta da biodiversidade pode ser incorporada de forma concreta ao sistema financeiro, criando oportunidades para alinhar preservação ambiental, estruturação de instrumentos financeiros e investimento produtivo.
Para o BRDE, essa abordagem representa uma forma de ampliar o impacto das políticas de crédito, conectando desenvolvimento regional, inovação financeira e sustentabilidade ambiental.



