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Estudo alerta para subdiagnóstico da doença renal crônica entre brasileiros

Por Agência Brasil
13 de agosto de 2026

A doença renal crônica (DRC) pode atingir mais de 20 milhões de brasileiros, o equivalente a aproximadamente 10% da população, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Desse grupo, mais de 170 mil pessoas dependem atualmente de terapia renal substitutiva, conforme informações do Censo Brasileiro de Diálise 2024.

Um estudo realizado com a colaboração do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, porém, aponta que o número de pessoas com doença renal pode ser ainda maior devido às dificuldades para identificar a enfermidade em seus estágios iniciais.

A pesquisa analisou mais de 14 mil pessoas consideradas de maior risco para desenvolver DRC, especialmente indivíduos com diabetes e hipertensão. Os pesquisadores avaliaram a frequência com que dois exames importantes para a identificação da doença eram solicitados: a dosagem de creatinina no sangue e o teste de albuminúria, que verifica a presença de proteína na urina.

Os resultados mostraram que esses exames ainda são pouco utilizados em conjunto na prática clínica. Menos de 5% dos participantes que realizaram o exame de creatinina também tiveram a albuminúria solicitada.

Mesmo depois de uma campanha nacional de rastreamento, o índice permaneceu abaixo de 7%. Para os pesquisadores, o resultado indica que ainda existem dificuldades para incorporar de maneira rotineira o rastreamento completo da doença renal entre pessoas com maior risco.

Diagnóstico precoce pode evitar agravamento

Um dos principais desafios relacionados à DRC é que a doença costuma não apresentar sintomas evidentes nos primeiros estágios. Com isso, muitas pessoas podem descobrir a alteração renal apenas quando a função dos rins já está comprometida.

O estudo destaca que identificar a doença precocemente permite adotar medidas para preservar a função renal e reduzir o risco de complicações.

A detecção antecipada também pode contribuir para diminuir a progressão da doença e, em determinados casos, retardar ou evitar a necessidade de terapia renal substitutiva.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que a doença renal crônica poderá se tornar a quinta principal causa de morte no mundo até 2040, reforçando a importância do diagnóstico e do acompanhamento dos grupos de maior risco.

Diabetes e hipertensão estão entre os principais fatores de risco

De acordo com o Ministério da Saúde, diabetes tipo 1 e tipo 2 e hipertensão estão entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença renal crônica.

Também são considerados fatores de risco o envelhecimento, obesidade, histórico de doenças cardiovasculares, histórico familiar de DRC, tabagismo e exposição a determinados agentes que podem prejudicar os rins.

Entre as doenças cardiovasculares relacionadas estão doença coronariana, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica e insuficiência cardíaca.

O Ministério da Saúde destaca que o controle dos fatores de risco é uma das principais estratégias para prevenir problemas renais. Medidas relacionadas ao acompanhamento de diabetes e hipertensão, além do controle de outros fatores associados, podem contribuir para reduzir o risco de desenvolvimento ou agravamento da doença.

Pesquisa reúne instituições brasileiras

O estudo foi publicado no Brazilian Journal of Nephrology e contou com a participação de pesquisadores vinculados a diferentes instituições.

Entre elas estão a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Escola Bahiana de Medicina, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e a Arbor Research Collaborative for Health.

Os resultados reforçam a preocupação dos pesquisadores com a identificação tardia da doença renal crônica e apontam para a necessidade de ampliar a realização de exames capazes de detectar alterações renais, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco.

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