“Antes de eu começar qualquer trabalho, eu vejo o dinossauro na minha frente… o tamanho, os movimentos, até o som… depois começo a trabalhar e no final o dinossauro surge exatamente como o vi na minha mente”.
As palavras são de Jonas Correa e não são novidade quando se fala em escultura. Michelângelo viu seu David e sua Pietá em blocos de mármore de Carrara, Auguste Rodin enxergou seu Pensador dentro de uma bola de bronze e Antonio Canova descobriu em 1817 as deusas Aglaia, Eufrosina e Tália no mármore, tirou as partes que estavam ‘sobrando’ a esculpiu As Três Graças, que foram sucesso até em novela da Globo mais de 200 anos depois.
As 62 anos, Jonas Corrêa é a pessoa que pode gabar-se de passar a vida fazendo exatamente o que quer, como quer, onde e quando. Mas, se sente ainda mais feliz quando vê que outras pessoas também ficam felizes diante dos trabalhos que ele faz, principalmente criança. E mais principalmente ainda quando essa criança é ‘diferente’, um autista, por exemplo.
Com o zóio na mão
Jonas é o escultor de todos os dinossauros que estão expostos até o dia 14 de junho no Parque do Ingá, na exposição Jurássico Condor, patrocinada pela rede de Supermercados Condor e logística do Instituto Ambiental de Maringá. Jonas diz que seus dinossauros são para todos, mas quando ele os imaginou pensou em crianças. Aliás, pensou como a criança que nunca deixou de ser, desde que, aos quatro ou cinco anos fez sua primeira bolinha com barro do quintal e viu que podia mudar a forma dela e criar o que bem quisesse.

Ela tanto imagina obra para crianças que faz seus dinos de forma que não assustem, antes, que atraiam, a ponto de a criança se aproximar, tocar, abraçar e até montar. Tanto que alguns dos gigantes da pré-história estão deitados, convidando crianças para subir em seu dorso, escalar o pescoção, cair, trepar de novo.
“Tem uns que faço bem pequenininhos, como se fosse um animal doméstico, já no jeito da criança subi e não querer mais sair. Outros são branquinhos, para a criança escrever seu nome, riscar, rabiscar, borrar, enfim, se divertir porque é isso que me dá prazer. Desde pequeno ouço alguém gritar que “criança tem zóio na mão”, não sabe ver sem pegar. Mas, é o pegar que faz a criança feliz e por isso que faço dinossauros para elas. Feliz a criança que tem ‘zóio’ na mão”.
Ninguém sabia o que era dinossauro
Jonas é um paranaense de Pinhalão, cidade emancipada um ano antes de Maringá, mas que tem apenas 6 mil habitantes. Mas, ele fez carreira em Curitiba, com seu ateliê em Colombo, na Zona Metropolitana de Curitiba. Ateliê para os outros, porque os conhecidos conhecem o ambiente como fábrica de dinossauros.
Ele não sabe desde quando é escultor, mas se lembra de que quando era criança pequena já amassava barro e ia dando formas. Começou a fazer dinossauros ao ver o monstro em seus livros de escola, depois imagens bem desenhadas e coloridas nas enciclopédias e não resistiu.

A questão é que na época que ele era criança, os dinossauros ainda não tinham virado moda. Assim, as pessoas olhavam suas pequenas esculturas de barro e diziam que eram dragões, monstros, tudo, menos dinossauros.
Mas, o mundo girou e ele não precisou entrar na moda. A moda veio ao que ele já fazia e todo mundo passou a reconhecer dinossauros em suas obras depois que surgiram filmes com o tema dinossauro, vieram as produções do Steven Spielberg, mas a coisa pegou mesmo quando as casas foram invadidas pela série “Família Dinossauros”, com frases que marcaram, como “querida, cheguei!”, “não é a mamãe, não é a mamãe”. Quem não se lembro do Baby Dinossauro e do Dino da Silva Sauro?.
Dos dinos aos santos
Mas, Jonas Corrêa só sabe fazer dinossauros? É claro que não. Esse é o seu hobby. Quando se entendeu escultor, Jonas viu que podia viver disso, viver de amassar o barro, fazer molde e depois fazer a estátua do que quisesse em fibra de vidro, bronze, cobre e até concreto. Assim, fez muitos monumentos, estátuas, homenagens a figuras históricas das cidades, esculturas temáticas.

Uma das obras que ele gosta muito e não é dinossauros é a Via Sacra gigante que está na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, em Londrina. Outra é a estátua do Semeador, no Centro de sua Pinhalão. Tem muita escultura dele por praças e mais praças do Paraná.
A exposição de dinossauros não é encomenda. Ele fez para viajar por aí. E é o que está fazendo. Hoje ele está em Maringá, mas trouxe também a esposa, filhos e netos. Todos também gostam de mexer com barro.
Trouxe também barro, tinta e algumas ferramentas. Assim, enquanto fica sentado anônimo em algum canto do Parque do Ingá vendo a reação das pessoas, principalmente das crianças, ele imagina novas esculturas e, se der vontade, põe a mão na massa.
Tem uns dinossaurozinhos pequenininhos e brancos, do tamanho de um cachorro, que ele lixa e pinta todos os dias. E todos os dias as crianças riscam, pintam e borram. É isso que o diverte.
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