O mercado financeiro brasileiro encerrou o mês de abril com forte movimento de valorização dos ativos nacionais. O dólar registrou queda expressiva e fechou no menor nível em mais de dois anos, enquanto a bolsa de valores voltou a subir após uma sequência de perdas.
No pregão desta quinta-feira (30), o dólar comercial terminou o dia cotado a R$ 4,952, recuo de 0,99%. Com o resultado, a moeda norte-americana atingiu o menor valor desde março de 2024. Ao longo de abril, a divisa acumulou queda de 4,38% frente ao real e, no acumulado de 2026, já recua cerca de 9,77%.
Analistas atribuem o movimento principalmente à fraqueza global do dólar e ao aumento do interesse de investidores estrangeiros por mercados emergentes, como o Brasil. Nesse cenário, parte do capital internacional tem migrado para ativos brasileiros, com investidores vendendo dólares e aplicando recursos em ações e títulos locais.
Um dos fatores que reforçam essa tendência é a diferença entre as taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos. O Banco Central do Brasil reduziu recentemente a taxa Selic para 14,50% ao ano, mas indicou cautela sobre novos cortes diante de riscos inflacionários. Já o Federal Reserve manteve os juros norte-americanos entre 3,50% e 3,75%, ampliando o diferencial de rendimentos que favorece investimentos no país.
Além do dólar, o euro também apresentou recuo frente ao real. A moeda europeia encerrou o dia cotada a R$ 5,811, o menor nível desde junho de 2024.
Bolsa volta a subir
O mercado de ações também teve um dia positivo. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou a sessão aos 187.318 pontos, com alta de 1,39%.
A recuperação ocorreu após seis quedas consecutivas e foi impulsionada principalmente pela entrada de capital estrangeiro e por expectativas de estabilidade na política monetária brasileira. Apesar da alta do dia, o índice terminou abril praticamente estável, depois de uma sequência recente de perdas.
Petróleo segue volátil
No cenário internacional, os preços do petróleo continuaram oscilando em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Durante o dia, as cotações chegaram a superar os US$ 120 por barril, mas perderam força ao longo do pregão.
O petróleo Brent, referência internacional e base para os preços da Petrobras, encerrou o dia em torno de US$ 110,40. Já o WTI, referência do mercado norte-americano, terminou próximo de US$ 105,07, com queda de cerca de 1,7%.
As oscilações refletem preocupações com o fornecimento global da commodity, principalmente diante das tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além das restrições no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Mesmo com recuos pontuais, os preços permanecem elevados e continuam influenciando a inflação global e as decisões de política monetária em diversos países.








