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Por que existe o Dia do Rock?

Por André Drago
10 de agosto de 2026
Queen - Live Aid 1985

Queen - Live Aid 1985

O mês de julho abriga o Dia Internacional do Rock. Uma data não oficializada que foi assumida principalmente pelos brasileiros. Costumamos realizar eventos nesta época em homenagem ao estilo musical célebre. Muitos destes eventos podem ter sua capacidade de propagar as não tão boas novas do gênero, mas não contam a respeito do que se trata a efeméride. A seguir vamos digredir a respeito desta data e do significado implícito nesta comemoração, que nem sempre está alinhada às suas origens.

O Dia do Rock foi sugerido por Phil Collins durante o evento chamado Live Aid, realizado em 1985 em prol do combate à fome na Etiópia. Neste evento estavam presentes Queen, Led Zeppelin, U2, David Bowie, Madonna, Dire Straits, Mick Jagger, entre outros renomes.

Antes disso o rock já havia realizado grandes movidas beneficentes pelo mundo. A primeira apresentação totalmente voltada a esta ação foi coordenada pelo Beatle George Harrison e o músico indiano Ravi Shankar em 1971. Com o objetivo de arrecadar fundos para os refugiados da guerra da independência, o Concert for Bangladesh reuniu participações como a de Bob Dylan, Eric Clapton, Ringo Starr e Billy Preston. Foi o primeiro grande concerto internacional em beneficência realizado na história do rock.

Em 1979 o No Nukes Concert foi realizado em Nova York em protesto ao uso da energia nuclear. O grupo Musicians United for Safe Energy foi fundado neste ano após o acidente nuclear de Three Mile Island, objetivando a discussão a respeito de alternativas limpas e seguras para geração de energia. O evento reuniu diversos nomes, entre eles Bruce Springsteen & The E Street Band, Crosby, Stills & Nash, James Taylor, Tom Petty, entre outros. O evento se repetiu na Califórnia em 2011 após o acidente de Fukushima.

Em 1979 o Rock for Kampuchea, em Londres, com participação de Queen, The Clash, The Who, entre outros, estendia seu olhar às vítimas da guerra no Camboja. E alguns anos mais tarde, em 1984, o supergrupo Band Aid lançou o single Do They Know It’s Christmas?, com artistas como Bono, George Michael, Sting e Phil Collins. Já com a Etiópia em pauta, a produção foi o gatilho para o evento do ano seguinte.

No Brasil tivemos este ano algumas movimentações diretamente relacionadas à história do Dia do Rock. O evento Alagoas Live Aid 2026 reuniu em Maceió mais de 30 artistas em prol do apoio a pessoas com Transtorno do Espectro Autista. O evento foi organizado pela Gravity Produções em parceria com o produtor Tiago Godoi, sediado pelo pub Toca do Calango Gastrobar.

Cidades como Feira de Santana, Chapecó e Cuiabá também tiveram neste mês seus eventos relacionados à data. Seja revertendo lucros ou arrecadando alimentos e ração, estes shows resgataram o espírito de coletividade e consciência característico das origens do rock ‘n’ roll.

A memória vive, no entanto precisamos de mais eventos como estes. A ação política é parte da origem e da evolução deste gênero. Não existe arte sem posicionamento. Nem todos os artistas são bons partidários, diga-se de passagem. Não podemos defender causas que perpetuam as causas das nossas indignações. A mão que apoia a arte não pode ser a mesma que oprime. O rock precisa olhar para frente.

A música não é obrigada a fazer nada. A arte por si existe sem pedir licença a nenhuma ciência ou lei. Contudo ela mesma é o agente político que catalisa o progresso de uma cultura. Talvez seja o termômetro mais forte da complexidade de um povo. A arte tem vontade própria e pede as suas mudanças. Ela se incomoda em incomodar. Se um grupo enorme de artistas relevantes decide que vai fazer arte falando a respeito de algo é porque a própria entidade humana Arte está se projetando naturalmente, dentro de seu espírito de época, em direção à sua essência de existir. Esta é a arte transcendente, que sai do romantismo do indivíduo para a utopia da coletividade. É extraordinário quando o assistido olha para o desassistido.

Minha intuição diz que algo pode ter ficado mal entendido na mensagem do rock. Por isso não entendo quando alguém diz que não tem a ver com política. Aristóteles compreende o ser humano como animal político (zōon politikón), nesse sentido quis dizer que toda ação que tomamos é atravessada pela nossa principal característica: somos seres sociais, vivemos em grupo. Não somente como os outros animais, nossa espécie possui senso de justiça. Rock político é música pela justiça. Amplifica os sons que não são ouvidos.

O rock é um dos porta-vozes das necessidades humanas, sem sombra de dúvidas é também um movimento político dentro da música. A arte esbarra em todas as faculdades do espectro humano. Cabe a cada artista tomar a decisão e responder a perguntas fundamentais para sua constituição: O que estou fazendo? Por que estou fazendo isso? E, por fim, Como estou fazendo isso? A sequência do raciocínio é lógica: Está tendo resultado?

Tags: Alagoas Live Aid 2026André DragoDia do RockEstúdio DragoHistóriaLive AidMaceióMaringáTiago GodoiToca do Calango Gastrobarzōon politikón

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